
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (Podemos), confirmou que é uma das vítimas dos ataques cibernéticos investigados na Operação Stop Hate, deflagrada nesta quarta-feira (20) pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), em Rondonópolis, a 215 km de Cuiabá. A ação mira perfis em redes sociais suspeitos de praticar crimes como perseguição (stalking), calúnia, difamação e injúria qualificada contra autoridades dos poderes Legislativo e Executivo no estado.
Em declaração pública, o parlamentar afirmou que decidiu procurar as autoridades após se sentir diretamente atingido pelas publicações. “Eu simplesmente procurei o meu direito, fiz a denúncia e dei o depoimento porque me senti agredido. E não foi só comigo. Tem delegado da Polícia Federal, prefeitos e secretários que passaram pela mesma situação. Hoje sou eu sendo atacado, amanhã pode ser você, pode ser qualquer um, e de forma sem critério nenhum”, declarou.
Max Russi também destacou que o ambiente digital não pode ser tratado como um espaço sem lei ou consequências legais. Segundo ele, há indícios de que as publicações eram impulsionadas e, em alguns casos, motivadas por interesses políticos. “A internet não é território livre para ataques. Existem pessoas que utilizam as redes sociais, muitas vezes de forma patrocinada, para disseminar calúnias, difamações e inverdades. Nesses casos, a Justiça precisa agir, e eu parabenizo a Justiça por estar agindo”, afirmou.
O presidente da Assembleia ponderou ainda que críticas fazem parte da vida pública, mas ressaltou que devem respeitar limites legais e éticos. “A gente não pode jogar a história de qualquer pessoa no lixo porque não gosta dela”, disse. Ele também revelou que o alvo da operação já teria adotado comportamentos semelhantes contra outras pessoas, e frisou que todo o caso seguiu os trâmites legais, com atuação da Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações conduzidas pela DRCI apontaram que os perfis investigados publicavam acusações sem comprovação, especialmente relacionadas a supostos esquemas de corrupção envolvendo integrantes do Executivo municipal de Rondonópolis. Além disso, conteúdos manipulados com o uso de inteligência artificial teriam sido utilizados para dar aparência de veracidade às informações falsas e ampliar sua circulação nas redes sociais.
Um dos episódios analisados envolve uma publicação que atribuía falsamente a prática de homicídio a um secretário municipal, mesmo sem qualquer investigação existente contra o gestor. Outro caso citado pelas autoridades envolve diretamente o deputado Max Russi, que foi acusado por um dos perfis de utilizar um secretário municipal como “testa de ferro” — expressão popularmente usada para indicar que uma pessoa atuaria em nome de outra em atividades ilícitas, o que, segundo a polícia, pode configurar crime contra a honra quando não há comprovação.
Durante a operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão domiciliar em endereços ligados aos investigados, além da aplicação de duas medidas cautelares. As equipes apreenderam celulares, computadores e outras mídias digitais, que passarão por perícia técnica para preservar provas e aprofundar as investigações. O material coletado poderá auxiliar na identificação de outros envolvidos e na análise da origem e disseminação dos conteúdos.
A Justiça também determinou a proibição de novas publicações relacionadas às vítimas já identificadas no inquérito, além do impedimento de contato entre os investigados. As medidas têm como objetivo interromper a continuidade das possíveis práticas criminosas e proteger a integridade das pessoas atingidas.
A Polícia Civil reforçou que crimes cometidos no ambiente digital, especialmente aqueles que envolvem ataques à honra e disseminação de informações falsas, são passíveis de responsabilização penal. O inquérito segue em andamento, e novas diligências não estão descartadas.
Mín. 16° Máx. 32°