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Cidades do Mato Grosso estão entre as piores do país em qualidade de vida

Enquanto a economia avança a passos largos puxada pelas lavouras, o crescimento econômico ainda não se traduziu em qualidade de vida para parte da população no interior do estado.

20/05/2026 às 17h31
Por: Redação
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Cidades do Mato Grosso estão entre as piores do país em qualidade de vida

Mato Grosso, reconhecido como um dos principais motores do agronegócio brasileiro, enfrenta um cenário de contrastes quando o assunto é desenvolvimento social. Dados do Índice de Progresso Social (IPS Brasil) 2026, divulgados nesta quarta-feira (20), mostram que o avanço econômico impulsionado pelo campo ainda não se reflete de forma equilibrada na qualidade de vida da população, especialmente em municípios do interior do estado.

 

O levantamento aponta que algumas cidades mato-grossenses estão entre os piores desempenhos do país no ranking nacional. Os índices mais baixos do estado foram registrados em Nova Nazaré (48,27), Campinápolis (48,40) e Vila Bela da Santíssima Trindade (48,49). Esses municípios apresentam desempenho considerado baixo, refletindo dificuldades no acesso à educação de qualidade, inclusão social e serviços essenciais. Ao lado de Colniza, eles figuram entre os 100 piores do Brasil no indicador.

 

Apesar do crescimento econômico robusto, puxado principalmente pelo agronegócio e pela agroindústria, o estudo evidencia grandes desigualdades regionais. Enquanto polos mais desenvolvidos concentram investimentos, infraestrutura e serviços, cidades menores e mais afastadas continuam enfrentando desafios estruturais que impactam diretamente o bem-estar da população.

 

Na outra ponta do ranking, Cuiabá aparece como destaque estadual e figura entre as dez capitais mais bem colocadas do país no IPS. Municípios como Rondonópolis também apresentam bom desempenho, especialmente nos indicadores ligados às necessidades humanas básicas e fundamentos do bem-estar. Esse contraste evidencia o abismo existente entre os grandes centros urbanos e regiões mais isoladas do estado.

 

O crescimento econômico de Mato Grosso segue em ritmo acelerado. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT), o PIB industrial do estado triplicou nos últimos dez anos, impulsionado principalmente pelos setores de alimentos, bebidas e combustíveis renováveis, como o etanol de milho. Atualmente, o PIB industrial alcança R$ 37,7 bilhões, representando cerca de 16,3% da economia estadual.

 

Dados do Banco do Brasil indicam que a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso saltou de 4,1% para 6,6% em 2025, colocando o estado acima da média nacional. Esse desempenho é resultado da combinação entre a força da agropecuária e a expansão da agroindústria, consolidando um novo ciclo de geração de renda.

 

Entre os municípios com maior número de estabelecimentos agroindustriais estão Cuiabá (364 unidades), Sinop (263), Rondonópolis (203) e Várzea Grande (195). Coincidentemente, alguns desses municípios também aparecem entre os melhores colocados no IPS, reforçando a relação entre desenvolvimento econômico e melhores indicadores sociais.

 

O Índice de Progresso Social (IPS Brasil) avalia a qualidade de vida da população para além dos indicadores econômicos tradicionais, como o PIB. A metodologia considera 12 componentes, incluindo acesso à saúde, educação, moradia, segurança, saneamento, inclusão social e oportunidades. O objetivo é medir se o crescimento econômico está, de fato, sendo convertido em melhorias concretas na vida das pessoas.

 

O cenário apresentado pelo IPS reforça um desafio histórico de Mato Grosso: transformar a força econômica do agronegócio em desenvolvimento social mais equilibrado. A redução das desigualdades regionais e o investimento em áreas essenciais seguem como pontos-chave para garantir que o crescimento do estado beneficie toda a população.

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