
O deputado federal Juarez Costa foi citado em acordos de colaboração premiada firmados por ex-executivos da empresa de saneamento Aegea Saneamento, que apontam supostos pagamentos milionários durante o período em que ele comandou a Prefeitura de Sinop, entre 2009 e 2016. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles em reportagem assinada pelo jornalista Eduardo Militão.
De acordo com a publicação, cinco ex-executivos da empresa firmaram acordos de colaboração com o Ministério Público entre 2020 e 2021. Os termos foram homologados neste ano pelo ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça. Segundo os relatos apresentados pelos delatores, Juarez teria recebido cerca de R$ 30 milhões em pagamentos indevidos ao longo dos anos, recursos que, conforme as declarações, seriam utilizados para quitar despesas relacionadas a campanhas eleitorais.
Entre as acusações relatadas nos depoimentos está a suposta entrega de um veículo BMW ao então prefeito de Sinop. Conforme a reportagem, o ex-presidente da Aegea, Hamilton Amadeo, afirmou ter autorizado a aquisição do automóvel em 2014. O carro, avaliado na época em aproximadamente R$ 330 mil, teria sido adquirido por intermédio de terceiros ligados à concessionária de água e esgoto.
As delações também mencionam a existência de um suposto esquema de repasses em dinheiro vivo. Um dos ex-diretores afirmou ter operado pagamentos paralelos destinados ao então prefeito a partir de 2015, envolvendo retiradas em espécie realizadas em São Paulo e entregas em diferentes localidades, incluindo Mato Grosso e Santa Catarina.
Outro trecho das colaborações cita supostas operações envolvendo postos de combustíveis em Sinop. Segundo os delatores, a empresa teria utilizado compras simuladas de combustíveis para viabilizar repasses financeiros relacionados a despesas políticas. Os estabelecimentos, conforme os relatos, teriam sido indicados pelo próprio gestor municipal à época.
O nome de Juarez Costa já havia sido alvo de investigação em 2016 durante a Operação Sorrelfa, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso para apurar supostos crimes relacionados à corrupção e lavagem de dinheiro. Na ocasião, mandados também foram cumpridos em outros estados.
Procurado pelo Metrópoles, o deputado não comentou as acusações. A Aegea, por sua vez, informou ao veículo que as irregularidades relatadas fazem parte de fatos do passado e ocorreram antes das mudanças internas implementadas pela companhia após os acordos de colaboração.
As acusações apresentadas nas delações premiadas não representam condenação judicial. O caso segue sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça, e até o momento não há decisão definitiva da Justiça sobre os fatos narrados pelos colaboradores.
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