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Bióloga de MT recebe prêmio internacional da National Geographic

O prêmio destaca o Projeto Reconecta, desenvolvido em Alta Floresta, que criou pontes suspensas para permitir a travessia segura de primatas sobre rodovias.

21/06/2026 às 20h31
Por: Redação
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Bióloga de MT recebe prêmio internacional da National Geographic

A bióloga e ecologista rodoviária mato-grossense Fernanda Abra foi reconhecida internacionalmente ao receber, nesta quinta-feira (18), o Prêmio Wayfinder 2026 da National Geographic Society. A homenagem coloca a pesquisadora entre os 15 líderes globais escolhidos pela instituição por desenvolver soluções inovadoras voltadas à conservação da natureza e à proteção da vida selvagem.

Considerado um dos mais importantes reconhecimentos mundiais da área ambiental, o Prêmio Wayfinder é frequentemente chamado de “Oscar da Conservação”. A premiação destaca cientistas, educadores, conservacionistas e inovadores que promovem transformações significativas por meio da ciência, tecnologia, educação e preservação ambiental. Além do reconhecimento internacional, os premiados recebem o título de Explorador da National Geographic e apoio financeiro para ampliar seus projetos.

O trabalho que levou Fernanda ao reconhecimento mundial foi desenvolvido em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso. A iniciativa criou pontes de dossel, estruturas suspensas que permitem a travessia segura de primatas e outros animais entre áreas de floresta separadas por rodovias.

Imagens registradas pela equipe da pesquisadora mostram diversas espécies utilizando as passagens aéreas, entre elas o macaco-aranha-da-cara-preta, bugio-do-rio-Purus, zogue-zogue-de-Alta-Floresta, macaco-da-noite, mico-de-Schneider e macaco-prego.

Em entrevista, Fernanda explicou que a ideia surgiu ao observar os impactos causados pelas rodovias que cortam áreas de floresta com alta biodiversidade, especialmente regiões que concentram uma das maiores diversidades de primatas do planeta.

“Eles eram atropelados ou deixavam de atravessar porque não existia conectividade entre as copas das árvores. Em 2019 surgiu o Projeto Reconecta, justamente para criar travessias seguras para esses animais”, explicou.

Segundo a pesquisadora, um dos diferenciais do projeto brasileiro está na tecnologia utilizada. As pontes foram desenvolvidas com materiais industriais de alta durabilidade e receberam aprovação do Ministério dos Transportes, permitindo a instalação inclusive em rodovias federais.

As estruturas são projetadas para suportar as condições climáticas da Amazônia e atender diferentes formas de locomoção dos primatas brasileiros, aumentando a eficiência das travessias e reduzindo os riscos de acidentes.

Apesar do sucesso, Fernanda destaca que o projeto enfrentou desafios importantes desde sua criação. Entre eles, a necessidade de convencer órgãos públicos, concessionárias e gestores sobre a eficácia da solução.

A equipe precisou atuar em conjunto com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Ministério dos Transportes, prefeituras e empresas de energia elétrica para viabilizar as instalações.

Um dos principais obstáculos ocorre quando as travessias precisam cruzar redes elétricas.

“A gente precisa trabalhar junto com as concessionárias para rebaixar ou isolar os cabos. Isso garante segurança tanto para os animais quanto para a rede de energia”, destacou.

Fernanda afirmou que não imaginava que o projeto alcançaria tamanha repercussão internacional.

“É motivo de muita alegria para mim e para toda a equipe. Esse reconhecimento mostra que é possível levar soluções brasileiras para o mundo e reforça a importância de expandir esse trabalho para outras regiões”, afirmou.

Atualmente, o Brasil conta com 39 pontes de dossel instaladas. A meta da equipe é construir outras 18 estruturas ainda este ano e mais 30 em 2027. O projeto também começou a ser expandido para o Suriname, ampliando o impacto da iniciativa na conservação da fauna sul-americana.

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