
Um jovem de Mato Grosso trocou a rotina ao lado da família por uma realidade marcada por confrontos armados, missões militares e incertezas. Natural de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, Alan Dias, de 30 anos, está na Ucrânia, onde afirma atuar militarmente ao lado das forças ucranianas na guerra contra a Rússia.
Em entrevista ao portal RDNews, publicada na quarta-feira (21), Alan contou que decidiu deixar o Brasil para realizar o sonho de seguir a carreira militar. A escolha, segundo ele, exigiu abrir mão da convivência com familiares e amigos para enfrentar uma situação em que a própria vida está constantemente em risco.
O mato-grossense está em sua segunda passagem pela Ucrânia. Depois da primeira experiência no país europeu, retornou ao Brasil e permaneceu aproximadamente sete meses em território nacional, até receber um novo chamado para participar dos combates.
Sonho militar levou jovem ao cenário de guerra
Segundo Alan, o desejo de atuar na área militar foi determinante para sua decisão de viajar à Ucrânia.
Ele afirma que encontrou no país uma oportunidade de seguir o caminho profissional que buscava, apesar das condições extremas impostas pelo conflito.
A decisão, entretanto, envolveu consequências pessoais importantes. Além da distância de Mato Grosso, o jovem passou a conviver com a possibilidade de sofrer ferimentos graves ou morrer durante as operações.
Ao RDNews, Alan descreveu a experiência como algo que transformou sua percepção sobre coragem, família e o valor da vida.
Ele também ressaltou que procurou compreender os riscos antes de deixar o Brasil, reconhecendo que nem todos os participantes conseguem retornar em segurança.
Missões podem durar até 25 dias
Um dos aspectos mais difíceis da rotina relatada pelo mato-grossense é o tempo dedicado às operações militares.
De acordo com Alan, os períodos de missão costumam durar entre 20 e 25 dias, seguidos por intervalos semelhantes de descanso.
Durante as operações, a comunicação com familiares pode ficar interrompida por vários dias, aumentando a preocupação de quem permanece no Brasil.
Antes de partir para cada missão, o jovem costuma avisar à família que ficará sem contato por determinado período.
A ROTINA RELATADA POR ALAN
20 a 25
dias em missão
20 a 25
dias de descanso
30 anos
idade do mato-grossense
7 meses
período que passou no Brasil entre as duas viagens
Essa alternância entre combate e descanso faz parte da experiência descrita pelo jovem, que precisa conciliar a rotina militar com a preocupação de manter seus familiares informados sobre sua situação.
Família enfrenta angústia durante períodos sem notícias
A distância e a dificuldade de comunicação estão entre os principais desafios enfrentados por Alan.
Segundo ele, antes de entrar em missão, é necessário preparar emocionalmente os familiares para a possibilidade de passar semanas sem notícias.
O jovem afirma que sempre comunica quando está prestes a iniciar uma operação e orienta os parentes sobre o período em que poderá ficar incomunicável.
O relato revela uma das consequências mais delicadas da participação de estrangeiros em conflitos armados: a incerteza vivida tanto por quem está no campo de batalha quanto pelas famílias que aguardam informações a milhares de quilômetros de distância.
Mato-grossense faz alerta a brasileiros interessados em viajar
Durante a entrevista, Alan também deixou uma orientação para brasileiros que consideram participar do conflito.
Ele destacou a importância de informar previamente à família sobre a decisão e o destino da viagem.
Segundo o jovem, algumas pessoas só compreendem a dimensão dos riscos depois de chegar à Ucrânia, quando já estão diante da realidade da guerra.
Alan ressalta que a possibilidade de ferimentos graves e morte precisa ser considerada antes de qualquer decisão.
A preocupação também envolve as dificuldades que familiares podem enfrentar para receber informações em situações de desaparecimento ou morte no exterior.
Segunda passagem pela Ucrânia
Mesmo depois de retornar ao Brasil e passar cerca de sete meses com familiares e amigos, Alan decidiu voltar ao país europeu.
Conforme seu relato, a experiência anterior foi decisiva para que escolhesse continuar atuando na área militar.
Ele não detalhou à reportagem os locais específicos das operações, nem apresentou informações sobre a unidade em que atua ou a duração total de sua permanência no conflito.
O testemunho do jovem mostra como uma guerra travada a milhares de quilômetros do Brasil também afeta famílias de Mato Grosso.
Entre missões que podem durar semanas, períodos sem comunicação e a incerteza de retornar em segurança, Alan Dias segue vivendo uma realidade distante daquela que conhecia em Várzea Grande.
As informações sobre sua experiência militar foram apresentadas pelo próprio entrevistado ao RDNews e não constituem verificação independente de suas atividades em combate.
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