
Mato Grosso está prestes a colocar em funcionamento uma estrutura inédita voltada à proteção da fauna. Localizado no Centro Político Administrativo (CPA), em Cuiabá, o novo Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) é apresentado pelo Governo do Estado como o maior hospital veterinário exclusivo para animais silvestres das Américas.
Com mais de 4 mil metros quadrados de área construída, o complexo recebeu investimento de aproximadamente R$ 23 milhões e foi projetado para atender até 5 mil animais, dependendo das espécies e das necessidades de tratamento.
A construção foi concluída no fim de setembro de 2026, mas o hospital ainda não começou a receber animais. A unidade aguarda a chegada de equipamentos e mobiliário para iniciar as atividades.
Hospital terá cirurgias, exames e tratamento especializado
O Cetras foi planejado para reunir, em um único espaço, os serviços veterinários necessários à recuperação de animais silvestres.
A estrutura deverá oferecer consultas, exames de imagem, procedimentos cirúrgicos e atendimentos especializados, incluindo ortopedia, oftalmologia e dermatologia.
Além da área hospitalar, o complexo conta com espaços de quarentena, recintos para recuperação e ambientes destinados à manutenção dos animais durante o período de reabilitação.
Segundo o diretor da unidade, Éder Toledo, a proposta é reduzir a necessidade de encaminhar os animais para diferentes clínicas e especialistas, concentrando os procedimentos em uma estrutura pública estadual.
Onças, araras, antas e capivaras poderão receber atendimento
O hospital será destinado exclusivamente aos animais silvestres. Entre as espécies que poderão ser atendidas estão araras, papagaios, periquitos, corujas, gaviões, capivaras, antas e onças.
Os pacientes chegarão ao Cetras por meio de resgates realizados pelas forças de segurança, Corpo de Bombeiros e órgãos ambientais, além de apreensões durante fiscalizações e entregas voluntárias.
Cães, gatos, cavalos e animais de produção não serão atendidos no complexo, uma vez que a estrutura foi desenvolvida especificamente para a fauna silvestre.
Após receber os cuidados veterinários, os animais poderão permanecer nos recintos de recuperação até que tenham condições de retornar à natureza.
Animais que não puderem voltar à natureza terão destinação adequada
Um dos principais objetivos do centro será preparar os animais recuperados para a soltura em ambientes naturais compatíveis com suas espécies.
Entretanto, nem todos poderão retornar à vida livre. Animais com sequelas permanentes, limitações físicas ou outras condições que impeçam a sobrevivência na natureza deverão receber uma destinação apropriada.
Nesses casos, a equipe poderá encaminhá-los para zoológicos, centros conservacionistas ou criadouros autorizados.
Quando não houver alternativa adequada, alguns animais poderão permanecer sob cuidados no próprio Cetras.
Mato Grosso registrou cerca de 1.450 animais resgatados em 2025
Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) apontam que aproximadamente 1.450 animais silvestres foram resgatados e encaminhados para clínicas veterinárias credenciadas em Mato Grosso durante 2025.
Os atendimentos representaram um investimento de cerca de R$ 2 milhões.
As aves corresponderam a aproximadamente 70% dos casos, incluindo papagaios, araras, periquitos, gaviões e corujas. Também foram atendidos mamíferos e répteis, como onças, antas, gambás, jabutis e lobos-guarás.
Com a abertura do novo hospital, o governo pretende concentrar esses atendimentos no Cetras e ampliar a estrutura disponível para a recuperação da fauna estadual.
Inauguração está prevista para o fim de novembro ou início de dezembro
Embora a estrutura física esteja concluída, o início dos atendimentos depende da instalação dos equipamentos e da chegada do mobiliário.
De acordo com Éder Toledo, a expectativa é receber os materiais até o fim de novembro, com possibilidade de inauguração entre o final daquele mês e o começo de dezembro de 2026.
O prazo ainda é uma previsão, não uma data oficialmente confirmada de abertura.
O que fazer ao encontrar um animal silvestre ferido?
A orientação dos responsáveis pelo Cetras é que a população não tente capturar ou manipular animais silvestres feridos por conta própria.
Além de oferecer riscos às pessoas, a aproximação inadequada pode agravar as lesões do animal.
A recomendação é manter distância e acionar o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar Ambiental ou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente para que o resgate seja realizado por profissionais capacitados.
Com a futura inauguração do Cetras, Mato Grosso pretende ampliar sua capacidade de resgate, tratamento e reabilitação da fauna silvestre, oferecendo uma estrutura especializada para animais que necessitam de cuidados veterinários.
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