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Garimpo ilegal ameaça rios de quatro municípios de MT e mobiliza grande operação

A preservação dos rios é fundamental para o meio ambiente e para as comunidades que dependem desses recursos.

21/10/2026 às 09h45
Por: Redação
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Garimpo ilegal ameaça rios de quatro municípios de MT e mobiliza grande operação

Uma grande operação de combate ao garimpo ilegal foi deflagrada na terça-feira (20 de outubro), no norte de Mato Grosso, tendo como alvo 28 balsas utilizadas na extração mineral nos rios Braço Norte e Peixoto de Azevedo, na região de Guarantã do Norte.

Batizada de Operação Leito Legal, a ação reúne equipes das Polícias Civil e Militar, com apoio de outros órgãos estaduais, para investigar atividades suspeitas de provocar danos ambientais em áreas próximas aos cursos d’água.

A operação foi desencadeada em apoio ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e envolve o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Guarantã do Norte.

As equipes atuam por terra e pelos rios, buscando localizar equipamentos utilizados na exploração mineral, identificar os responsáveis pelas estruturas e reunir provas sobre os impactos ambientais.

Entre as principais preocupações estão o assoreamento dos rios, a destruição da vegetação nativa e a possível contaminação da água por mercúrio.

Operação tem como alvo 28 balsas de garimpo

De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, os mandados judiciais têm como alvo 28 balsas utilizadas em atividades de extração mineral consideradas irregulares pelos investigadores.

As estruturas estão distribuídas pelos rios Braço Norte e Peixoto de Azevedo, na região de Guarantã do Norte.

O objetivo da operação é interromper as atividades investigadas e retirar de circulação equipamentos instalados de maneira irregular, inclusive em áreas protegidas.

Os policiais também poderão inutilizar maquinários, caso essa providência esteja prevista nas determinações judiciais.

É importante destacar que 28 é o número de balsas investigadas, e não necessariamente a quantidade de equipamentos já apreendidos ou destruídos.

Até a divulgação das informações consultadas, não havia um balanço final sobre o total de estruturas efetivamente retiradas de operação.

Polícia investiga donos e possíveis financiadores

Além da fiscalização das balsas, os investigadores buscam identificar quem está por trás da exploração mineral.

A apuração pretende esclarecer quem são os proprietários dos equipamentos, quais pessoas participam das atividades e se existem financiadores responsáveis por manter a estrutura do garimpo.

A investigação também deverá verificar possíveis responsabilidades pelos danos ambientais encontrados.

Até o momento, não foram divulgados os nomes dos investigados nem informações sobre eventuais prisões.

Perícia vai investigar possível presença de mercúrio na água

Uma das principais frentes da operação é a coleta de amostras de água e solo para análises periciais.

Os exames deverão verificar a possível presença de mercúrio e outras substâncias químicas que podem ser utilizadas em atividades de garimpo.

A preocupação das autoridades é que a exploração mineral irregular comprometa a qualidade da água e provoque impactos sobre os ecossistemas da região.

O mercúrio é uma substância tóxica que pode contaminar ambientes aquáticos e representar riscos à saúde humana e à fauna.

Entretanto, a presença de mercúrio nos rios investigados ainda depende dos resultados das análises. Não há confirmação pericial divulgada de contaminação.

As amostras coletadas também poderão ajudar a dimensionar os danos ambientais e subsidiar a investigação.

Rio Braço Norte apresenta sinais de degradação

Segundo os levantamentos apresentados pelas autoridades, o rio Braço Norte está entre as áreas mais afetadas pelas atividades investigadas.

Foram identificados indícios de escavações, retirada da camada superficial do solo e acúmulo de sedimentos nos canais.

Esse processo pode provocar o chamado assoreamento, caracterizado pelo depósito excessivo de terra e outros materiais no leito dos rios.

O problema pode alterar a profundidade dos cursos d’água, prejudicar a circulação da água e comprometer os ambientes utilizados por peixes e outras espécies.

Os investigadores também apontaram sinais de erosão e alterações nas margens.

Desmatamento teria aberto caminho para acampamentos clandestinos

Outra preocupação envolve a retirada irregular de vegetação nativa.

Conforme a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), foram identificados indícios de desmatamento com uso de motosserras para abrir acessos, instalar acampamentos e construir estruturas de apoio à atividade garimpeira.

Parte dessas intervenções teria ocorrido em áreas protegidas pela legislação ambiental.

A retirada da vegetação próxima aos rios, conhecida como mata ciliar, pode acelerar a erosão das margens e facilitar o transporte de sedimentos para a água.

Esses impactos podem comprometer a fauna, a flora e a estabilidade dos ecossistemas.

Dragas e equipamentos de sucção agravam os impactos

A investigação também analisa a utilização de dragas e equipamentos de sucção conhecidos como “chupões”, empregados na retirada de materiais do fundo dos rios.

Esses equipamentos movimentam sedimentos e podem modificar as características naturais dos cursos d’água.

Segundo os órgãos envolvidos, a combinação entre extração mineral, desmatamento e ocupação irregular das margens pode provocar danos ambientais de grande proporção.

Entre os efeitos investigados estão o aumento da turbidez da água, a erosão das margens e a degradação dos ambientes aquáticos.

A extensão dos danos deverá ser avaliada pelos levantamentos técnicos.

Quatro municípios podem sofrer impactos

Os rios Braço Norte e Peixoto de Azevedo integram uma rede hidrográfica importante para o norte de Mato Grosso.

Os cursos d’água estão relacionados à dinâmica ambiental dos municípios de Guarantã do Norte, Matupá, Novo Mundo e Peixoto de Azevedo.

Além da importância ecológica, a região possui balneários e áreas utilizadas pela população para lazer.

Por isso, o avanço da exploração mineral irregular e os possíveis impactos sobre a qualidade da água preocupam as autoridades e os moradores.

A investigação busca dimensionar os riscos e identificar medidas necessárias para conter a degradação.

Operação reúne diferentes forças de segurança

A Operação Leito Legal é coordenada pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) e pela Polícia Militar Ambiental, em apoio ao Ministério Público Estadual.

Também participam da mobilização:

  • Delegacia Regional de Guarantã do Norte;
  • Força Tática do 2º Comando Regional;
  • Corpo de Bombeiros Militar;
  • Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec);
  • Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema);
  • Poder Judiciário da Comarca de Guarantã do Norte.

As equipes atuam de forma integrada para cumprir as ordens judiciais, reunir provas e identificar possíveis responsáveis.

Balanço final ainda não foi divulgado

Até a publicação das informações consultadas, as autoridades não haviam divulgado o número definitivo de balsas apreendidas ou inutilizadas.

Também não havia confirmação sobre prisões ou sobre a identificação de todos os proprietários e financiadores investigados.

Os resultados das análises de água e solo ainda deverão esclarecer se houve contaminação por substâncias tóxicas.

A Operação Leito Legal segue como uma ação de enfrentamento ao garimpo irregular e de investigação dos danos ambientais provocados pela exploração mineral nos rios do norte de Mato Grosso.

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