Mato Grosso encerrou o ano de 2025 como o terceiro estado com a maior taxa de feminicídios por proporcionalidade populacional no Brasil, após registrar 53 mulheres assassinadas por razões de gênero.
Os dados fazem parte do relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento também mostra que, pelo quinto ano consecutivo, entre 2021 e 2025, Mato Grosso permanece entre as unidades da Federação com as maiores taxas de feminicídio do país.
Casos cresceram nos últimos anos
De acordo com o relatório, os registros de feminicídios em Mato Grosso apresentaram crescimento ao longo dos últimos cinco anos.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o aumento das mortes não está relacionado apenas ao crescimento dos registros policiais, mas reflete uma escalada contínua da violência sofrida pelas vítimas dentro de casa.
Violência costuma começar antes do crime
A pesquisa destaca que o feminicídio normalmente representa o desfecho de um histórico de violência.
Antes do assassinato, muitas vítimas já haviam sofrido episódios de ameaças, perseguição (stalking), violência psicológica, lesões corporais, estupros e até tentativas de feminicídio.
O levantamento também aponta que, enquanto os homicídios de mulheres ligados à violência urbana vêm apresentando redução, os crimes praticados no ambiente doméstico continuam em crescimento.
Na avaliação dos pesquisadores do Fórum, esse cenário evidencia a permanência de padrões culturais marcados pela violência de gênero, nos quais o agressor enxerga a companheira como uma propriedade e reage de forma extrema diante de tentativas de separação ou de busca por autonomia.
Legislação ficou mais rigorosa
O feminicídio passou a ser previsto em lei no Brasil em 2015, com a sanção da Lei Federal nº 13.104, que qualificou o assassinato de mulheres motivado pela condição do sexo feminino, especialmente em contextos de violência doméstica, familiar ou discriminação.
Desde 2024, com a entrada em vigor da Lei nº 14.994, conhecida como Pacote Antifeminicídio, o feminicídio tornou-se crime autônomo no Código Penal, com penas que variam de 20 a 40 anos de reclusão, as mais severas previstas na legislação penal brasileira para esse tipo de crime.
Além disso, o crime de stalking (perseguição), tipificado no artigo 147-A do Código Penal, também integra o conjunto de medidas voltadas ao combate à violência contra a mulher.
Como denunciar
A violência contra a mulher pode ser denunciada de forma gratuita e, quando necessário, de maneira anônima.
Em Mato Grosso, o boletim de ocorrência também pode ser registrado pela Delegacia Digital.
Em situações de emergência ou flagrante, os canais disponíveis são:
Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo telefone (65) 98170-0199.
O atendimento presencial é realizado na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande.