
A psiquiatra, escritora e palestrante Ana Beatriz Barbosa Silva comentou nas redes sociais o caso da adolescente de 12 anos morta pelo próprio pai, Claudinei da Silva, em Várzea Grande. Para a especialista, a tragédia não pode ser interpretada como um ato impulsivo ou isolado, mas como reflexo de uma estrutura de controle e violência que pode estar presente em muitos lares.
Em sua análise, Ana Beatriz afirmou que o caso revela um comportamento marcado pela posse e pelo controle, e não por cuidado ou proteção.
“Ciúmes de um pai por uma filha de 12 anos não é cuidado, não é zelo, não é proteção, é simplesmente posse”, declarou.
Segundo a psiquiatra, existe uma diferença entre proteger alguém e acreditar que essa pessoa pertence a você.
“Quando você cuida, você protege a liberdade do outro. Quando você possui, você vigia, controla e pune quando perde o controle”, afirmou.
A especialista também destacou que, em muitos casos de violência extrema, o agressor passa a enxergar a vítima como um território sobre o qual acredita ter domínio.
Na publicação, Ana Beatriz citou dados nacionais que apontam a gravidade da violência contra crianças e adolescentes no Brasil e alertou para sinais que podem indicar situações de risco dentro de casa.
Entre os principais indícios mencionados estão mudanças bruscas de comportamento, medo excessivo de determinados adultos e sinais constantes de intimidação ou sofrimento emocional.
A psiquiatra reforçou ainda a importância da denúncia e orientou a população a procurar canais oficiais de proteção à infância e adolescência sempre que houver suspeita de violência.
O caso
As investigações tiveram início após a adolescente dar entrada sem vida em uma unidade de saúde de Cuiabá, apresentando diversas lesões compatíveis com agressões físicas.
Segundo a Polícia Civil, a mãe da vítima foi até a residência do ex-marido para buscar a filha e estranhou o comportamento do homem após ele afirmar que a adolescente não estava no local.
Pouco depois, ao entrar na residência, encontrou a filha caída em um dos quartos com diversas marcas de agressão.
A jovem foi socorrida e levada para atendimento médico, mas não resistiu.
A investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apontou que o pai confessou o crime durante depoimento.
Após se apresentar às autoridades, ele foi conduzido para a delegacia, autuado em flagrante por feminicídio e teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.
Mín. 19° Máx. 27°