
A Câmara Municipal de Cáceres aprovou por unanimidade, durante sessão realizada nesta segunda-feira (8), a revogação da lei que criava um auxílio-alimentação de R$ 1,7 mil para os vereadores do município.
A medida derruba a Lei Municipal nº 3.412, sancionada em 27 de maio de 2026, que autorizava o pagamento do benefício aos parlamentares da Casa de Leis.
O auxílio havia sido aprovado no fim de maio e teria impacto anual estimado em aproximadamente R$ 306 mil nos cofres públicos do Legislativo municipal.
A revogação ocorreu após forte repercussão negativa nas redes sociais e críticas da população sobre a criação do benefício. A proposta também gerou divergências internas entre os próprios vereadores.
Após a polêmica, parte dos parlamentares chegou a anunciar publicamente que abriria mão do recebimento do auxílio.
A decisão de revogar a medida já havia sido antecipada na semana passada pelo presidente da Câmara, Flávio Negação, junto à Mesa Diretora.
Segundo a Câmara Municipal, com a aprovação da revogação, os recursos que seriam destinados ao pagamento do auxílio retornarão ao orçamento geral da Casa e poderão ser utilizados em outras finalidades de interesse público, conforme prevê a legislação.
Entenda a polêmica
Durante a votação inicial do auxílio, alguns vereadores já haviam se manifestado contra a criação do benefício.
Os vereadores Césare Pastorello, Jerônimo Gonçalves e Isaías Bezerra votaram contra a proposta e afirmaram que não receberiam os valores.
As vereadoras Elis Enfermeira e Valderínia também votaram contra, embora não tenham informado se abririam mão do benefício.
O caso reacendeu debates sobre os gastos do Legislativo municipal. No ano passado, os vereadores aprovaram um aumento de 28% nas próprias verbas indenizatórias durante uma sessão que durou apenas 35 segundos.
Na ocasião, os vencimentos passaram de R$ 10.383,13 para R$ 20.913,03, considerando os benefícios aprovados.
Segundo o texto do projeto agora revogado, o auxílio teria caráter indenizatório, sem incorporação ao salário dos parlamentares e sem incidência de imposto de renda ou contribuição previdenciária.
O pagamento seria condicionado à participação dos vereadores em sessões, audiências públicas, reuniões de comissão, eventos institucionais e atividades de treinamento.
Além disso, a proposta alterava a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o Plano Plurianual (PPA) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 para permitir a inclusão da despesa no orçamento da Câmara.
A matéria havia sido assinada pelo presidente Flávio Negação e integrantes da Mesa Diretora.
Com a revogação aprovada pelo plenário, o benefício deixa de existir oficialmente.
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