
Mato Grosso deve enfrentar um dos períodos mais críticos de calor extremo e queimadas dos últimos anos no segundo semestre de 2026. Um boletim técnico elaborado pela consultoria GMG Ambiental aponta que o Estado poderá registrar temperaturas entre 44°C e 45°C, acompanhadas por um aumento de até 80% no número de focos de calor em comparação à média histórica. O cenário preocupa autoridades e especialistas, principalmente pelos impactos previstos nos principais biomas da região, como a Amazônia Legal, o Cerrado e o Pantanal, áreas que já enfrentam pressão ambiental constante e podem sofrer ainda mais com as condições climáticas adversas.
De acordo com o analista de Risco de Fogo da GMG Ambiental, Marcelo Romão, o mês de agosto marcará o início do período mais crítico para incêndios florestais no Estado. A previsão indica que os dias entre 12 e 26 de agosto devem concentrar os maiores riscos, com condições ideais para a propagação do fogo. Entre os municípios com maior potencial para incêndios de grandes proporções estão Sinop, Sorriso, Alta Floresta, Nova Mutum e Querência. Nessas regiões, a combinação de vegetação seca, ventos intensos e baixa umidade relativa do ar cria um ambiente altamente favorável à rápida expansão das chamas, especialmente em áreas de pastagem e vegetação rasteira.
O estudo aponta ainda que setembro deve ser o mês mais severo, com possibilidade de quebra de recordes históricos tanto de temperatura quanto de focos de queimadas. O comportamento do fogo também pode ser mais agressivo do que o habitual, com chamas ultrapassando aceiros e até rodovias devido à força dos ventos e à baixa umidade. Outro ponto de alerta é o impacto direto na saúde da população, principalmente na região metropolitana de Cuiabá, que pode enfrentar aumento significativo de fumaça no mês de outubro, período em que os termômetros também podem ultrapassar os 40°C.
Segundo o boletim, o cenário extremo está diretamente relacionado à atuação do fenômeno climático conhecido como Super El Niño, que dificulta a chegada de umidade da Amazônia para o Centro-Oeste brasileiro. Como consequência, a umidade relativa do ar pode cair abaixo de 12%, índice considerado de emergência pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse nível representa risco elevado à saúde, podendo causar problemas respiratórios, desidratação e agravamento de doenças já existentes.
Diante desse panorama, especialistas reforçam a necessidade de medidas preventivas imediatas para reduzir o risco de incêndios de grandes proporções. Entre as principais recomendações estão a manutenção de aceiros, a suspensão total de queimadas para limpeza de áreas e a preparação antecipada de brigadas e equipamentos de combate ao fogo. O estudo também destaca que, apesar das condições climáticas severas, a maioria dos incêndios ainda depende da ação humana, o que reforça a importância da conscientização da população.
A GMG Ambiental é responsável pelo monitoramento climático utilizado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, por meio da plataforma Orion, uma tecnologia voltada para inteligência geográfica e análise de dados climáticos. A ferramenta auxilia o Governo do Estado nas estratégias de prevenção e combate a incêndios florestais, sendo considerada um dos principais instrumentos de planejamento diante de cenários extremos como o previsto para este ano.
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