18°C 33°C
Primavera do Leste, MT

Região de Juara já foi epicentro do maior terremoto do Brasil

O abalo ocorreu em 1955, na região da Serra do Tombador, com magnitude 6,2, sendo considerado o mais forte dentro da estrutura geológica brasileira.

31/05/2026 às 10h11
Por: Redação
Compartilhe:
Região de Juara já foi epicentro do maior terremoto do Brasil

Os recentes tremores de baixa intensidade registrados no Tocantins e no litoral do Rio de Janeiro voltaram a chamar atenção para a ocorrência de abalos sísmicos no Brasil — um país que, embora esteja fora das principais zonas de terremotos do planeta, possui um histórico relevante. Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 31 de janeiro de 1955, na região da Serra do Tombador, área que atualmente pertence ao município de Juara. O terremoto atingiu magnitude estimada de 6,2 e intensidade VII na Escala Mercalli Modificada, sendo considerado o mais forte já registrado dentro da estrutura geológica brasileira.

 

Na época, a região era desabitada, o que fez com que o tremor tivesse poucos registros de impacto direto, apesar de sua força. Mesmo assim, o abalo foi sentido em Cuiabá, a cerca de 380 quilômetros de distância, com intensidade entre IV e V — suficiente para balançar objetos e ser percebido pela população. Especialistas explicam que, se um evento semelhante ocorresse atualmente, os efeitos seriam mais significativos devido à expansão urbana, podendo causar danos em construções mais vulneráveis, especialmente em um raio de até 30 quilômetros do epicentro.

 

Diferente de países como Japão e Chile, onde os terremotos estão associados ao encontro de placas tectônicas, o caso de Mato Grosso foi provocado por movimentações internas da placa sul-americana, fenômeno conhecido como terremoto intraplaca. Segundo pesquisadores, o fato de o abalo ter ocorrido a cerca de 10 quilômetros de profundidade o classifica como um terremoto raso, o que potencializa seus efeitos na superfície. Eventos desse tipo são mais raros, mas podem atingir magnitudes elevadas.

 

Apesar de registros mais recentes de tremores fortes no Acre, como os de magnitude 6,8 em 2019 e 6,6 anos depois, especialistas apontam que esses episódios estão ligados à influência tectônica da Cordilheira dos Andes e, por isso, não são classificados como terremotos tipicamente brasileiros do ponto de vista geológico. Já o evento de 1955, em Mato Grosso, ocorreu dentro da estrutura interna do território nacional, o que reforça sua relevância histórica.

 

Mais de sete décadas depois, a possibilidade de novos tremores na região ainda existe, embora não seja possível prever quando ocorrerão. Áreas como Porto dos Gaúchos vêm apresentando atividade sísmica recorrente ao longo dos anos, o que levou pesquisadores a classificarem o local como uma zona sísmica ativa. Registros desde a década de 1950 mostram uma sequência de abalos de menor magnitude, indicando movimentações geológicas contínuas em falhas existentes na região.

 

Mesmo sem registros detalhados de danos em 1955, devido à ausência de ocupação humana, relatos posteriores ajudam a ilustrar a força dos tremores no norte mato-grossense. Em 1959, por exemplo, moradores de Porto dos Gaúchos descreveram o abalo como uma “onda sísmica” acompanhada por ruídos semelhantes a trovões, capaz de fazer estruturas rangerem e objetos caírem. Na época, sem conhecimento técnico, a população chegou a associar o fenômeno a eventos como queda de meteoros ou até mesmo ao fim do mundo.

 

A medição dos terremotos é feita por meio da magnitude, que indica a energia liberada no interior da Terra, registrada por equipamentos chamados sismógrafos. Essa escala é logarítmica, o que significa que um aumento de um ponto representa um tremor cerca de 10 vezes mais intenso. Já a intensidade, medida pela Escala Mercalli, avalia os efeitos causados na superfície e nas estruturas. Além da magnitude, a profundidade do abalo é um fator determinante para os impactos — quanto mais raso, maiores tendem a ser os danos.

 

O histórico sísmico de Mato Grosso reforça que, embora raros, terremotos podem ocorrer em território brasileiro e devem ser acompanhados com atenção por especialistas. O avanço do monitoramento e da pesquisa científica tem permitido compreender melhor esses fenômenos e seus possíveis impactos, especialmente em regiões que, até pouco tempo atrás, eram consideradas pouco suscetíveis a esse tipo de evento.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários