18°C 33°C
Primavera do Leste, MT

Ex-secretário denuncia suposta pedalada de R$ 100 milhões em Cuiabá

A declaração foi feita nesta quinta-feira (28), durante pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal.

29/05/2026 às 13h23
Por: Redação
Compartilhe:
Ex-secretário denuncia suposta pedalada de R$ 100 milhões em Cuiabá

O ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, fez uma grave denúncia contra a gestão do prefeito Abilio Brunini (PL), ao afirmar que houve uma “pedalada fiscal” superior a R$ 100 milhões envolvendo recursos da educação no ano passado. A declaração foi feita nesta quinta-feira (28), durante pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal de Cuiabá, onde o ex-gestor foi convidado a prestar esclarecimentos após polêmica envolvendo suposto superfaturamento na aquisição de livros didáticos.

 

Durante seu discurso, Amauri Monge afirmou que os recursos que deveriam ter sido aplicados na educação teriam sido direcionados para outras finalidades, mesmo com o cumprimento formal do índice constitucional mínimo de 25% de investimento no setor. Segundo ele, a situação foi registrada e documentada junto à Comissão de Educação da Câmara, com a participação dos vereadores Mário Nadaf (PV), Michelly Alencar (União) e Daniel Monteiro (Republicanos), além de integrantes da equipe técnica da prefeitura, incluindo o secretário Bussiki e o contador-geral do município, identificado como Éder. “Foi uma pedalada de mais de R$ 100 milhões. O dinheiro não foi para a educação, apesar de termos cumprido o índice exigido, justamente para evitar que o prefeito se tornasse inelegível”, declarou.

 

O ex-secretário também destacou que a prática teria gerado impactos diretos na rede municipal e em fornecedores. Segundo ele, a situação colocou em risco empresas que prestaram serviços à prefeitura e que agora enfrentam dificuldades financeiras. Monge afirmou ainda que sua saída da Secretaria de Educação não teve relação com articulações políticas, como chegou a ser ventilado, mas sim com o que classificou como um “colapso” na gestão da área educacional da capital.

 

A denúncia surge em meio a um cenário de tensão política, após o prefeito ter apontado a existência de um possível superfaturamento de R$ 80 milhões na compra de livros didáticos. Para Monge, o tema estaria sendo utilizado como uma “cortina de fumaça” para desviar o foco de problemas mais amplos na administração da educação municipal. Ele reforçou que possui documentação que comprovaria as irregularidades, incluindo registros relacionados ao uso de verbas do Fundeb e outras fontes federais destinadas à educação.

 

O conceito de “pedalada fiscal” refere-se à utilização de recursos públicos para fins diferentes daqueles originalmente previstos, sem a devida autorização legal, o que pode configurar irregularidade administrativa e fiscal. Caso comprovadas, as denúncias podem gerar desdobramentos nos órgãos de controle, como tribunais de contas e o Ministério Público, além de repercussões políticas no Legislativo municipal.

 

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do prefeito informou que deverá se manifestar oficialmente sobre as acusações em breve. O caso deve ganhar novos capítulos nos próximos dias, com possível mobilização de vereadores e abertura de investigações para apuração dos fatos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários