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Adolescentes são apreendidos por usar IA em esquema ilegal envolvendo menores em Juína

O grupo usava perfis falsos com identidades femininas em redes sociais para divulgar o material e atrair clientes.

28/05/2026 às 09h59
Por: Redação
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Adolescentes são apreendidos por usar IA em esquema ilegal envolvendo menores em Juína

Dois adolescentes de 15 anos foram apreendidos nesta quarta-feira (27) durante a Operação Máxima Proteção, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso, após investigações que apontaram o uso de Inteligência Artificial para criação e comercialização de conteúdos falsos envolvendo menores de idade em Juína, município localizado a cerca de 730 quilômetros de Cuiabá. De acordo com as autoridades, os materiais eram produzidos a partir da manipulação de fotos reais, transformadas em vídeos hiper-realistas, que eram vendidos pela internet.

 

As investigações tiveram início após a identificação de quatro adolescentes, estudantes de uma escola particular da cidade, suspeitos de envolvimento no esquema. Com o avanço das diligências, a polícia confirmou que ao menos dois deles atuavam diretamente na comercialização do material, cobrando cerca de R$ 30 por imagens e até R$ 120 por vídeos. O grupo utilizava perfis falsos com identidades femininas em redes sociais para divulgar os conteúdos e atrair compradores, ampliando o alcance das publicações.

 

Segundo a Polícia Civil, pelo menos 30 vítimas foram identificadas, entre estudantes de escolas da cidade e do campus do Instituto Federal de Mato Grosso em Juína. A instituição informou, por meio de nota, que acompanha o caso e presta apoio às medidas necessárias diante da gravidade da situação. O episódio gerou forte repercussão na comunidade escolar e acendeu um alerta sobre o uso indevido de tecnologias digitais entre jovens.

 

A apuração também revelou que o esquema tinha alcance interestadual. Uma perícia bancária identificou intensa movimentação financeira por meio de transferências via Pix, com registros de compradores em estados como Minas Gerais, Pará, Rondônia, Tocantins e Bahia. Esse dado reforça a dimensão do caso e a capacidade de disseminação desse tipo de prática por meio da internet.

 

Durante a operação, também foi cumprido um mandado de prisão em Rondônia contra um jovem de 20 anos, localizado com apoio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cacoal. Nos dispositivos apreendidos — como computadores e celulares —, os investigadores encontraram os arquivos manipulados armazenados tanto localmente quanto em serviços de nuvem, o que contribuiu para o avanço das investigações.

 

Os envolvidos poderão responder por atos infracionais e crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, que trata, entre outros pontos, da produção e comercialização de material envolvendo menores. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis participantes e aprofundar a responsabilização dos envolvidos, incluindo adultos que possam ter colaborado com o esquema.

 

O caso levanta discussões importantes sobre os riscos associados ao uso de ferramentas de Inteligência Artificial sem controle, especialmente quando utilizadas para práticas ilegais que afetam diretamente crianças e adolescentes. Autoridades reforçam a necessidade de conscientização, monitoramento e responsabilização para evitar que tecnologias sejam utilizadas de forma prejudicial e criminosa.

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