Polícia Tensão na Assembleia
Júlio Campos questiona presença de Ulysses Moraes em cargo na ALMT
Deputado Estadual Júlio Campos (UB), disse que o ex-deputado está lotado na presidência da ALMT, com cargo presencial, mas que não comparece há meses.
23/05/2026 17h53
Por: Redação

A declaração do deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) ampliou um debate que já vinha ganhando força nos bastidores da política de Mato Grosso e agora se projeta com mais intensidade na esfera pública. Segundo o parlamentar, o ex-deputado Ulysses Moraes estaria atualmente lotado na presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), ocupando um cargo de natureza presencial, porém sem comparecer ao local de trabalho há meses. A afirmação levanta questionamentos diretos sobre a regularidade do exercício da função, especialmente diante da exigência de dedicação contínua e presença física em cargos dessa natureza. A situação se torna ainda mais sensível por envolver recursos públicos, já que a remuneração do cargo é custeada pelo contribuinte, o que amplia a cobrança por transparência e prestação de contas sobre a atuação funcional do ex-parlamentar dentro da estrutura da Casa de Leis.

 

O caso ganha contornos ainda mais complexos diante do protagonismo digital assumido por Ulysses Moraes nos últimos meses. Fora do ambiente institucional, o ex-deputado tem intensificado sua presença nas redes sociais, onde produz conteúdos políticos com frequência elevada, abordando temas nacionais e locais sob uma perspectiva crítica, especialmente direcionada a grupos de esquerda. Esse contraste entre a suposta ausência no ambiente de trabalho formal e a intensa atividade online tem sido apontado por adversários como um indicativo de desvio de foco das atribuições públicas. Para parte da opinião pública e analistas políticos, a situação evidencia um possível desalinhamento entre o papel institucional esperado de um servidor vinculado ao Legislativo e a atuação voltada prioritariamente à construção de audiência e engajamento digital.

 

Nos bastidores, interlocutores da política mato-grossense avaliam que o episódio ultrapassa a figura individual de Ulysses Moraes e se insere em um fenômeno mais amplo: a transformação da comunicação política na era digital. Vídeos produzidos pelo ex-deputado circulam com grande alcance nas plataformas, frequentemente mostrando abordagens diretas a cidadãos em espaços públicos. Em diversos casos, essas interações resultam em embates políticos que ganham repercussão, gerando cortes virais, compartilhamentos em massa e forte engajamento — tanto de apoiadores quanto de críticos. Especialistas observam que esse modelo de comunicação privilegia a confrontação e a simplificação do debate, o que pode contribuir para ampliar a polarização e reduzir o espaço para discussões mais aprofundadas sobre políticas públicas.

 

Críticos do ex-parlamentar afirmam que esse tipo de conteúdo, além de priorizar o impacto imediato nas redes, pode expor cidadãos a situações constrangedoras, transformando interações espontâneas em material de consumo político. Para esses setores, a estratégia se distancia do papel tradicional de agentes públicos, que envolve a formulação de propostas, fiscalização de políticas governamentais e atuação institucional consistente. Além disso, apontam que a manutenção de vínculo com a máquina pública, enquanto se adota um discurso fortemente crítico ao sistema político, gera um paradoxo que fragiliza a narrativa de combate à chamada “velha política”.

 

Por outro lado, aliados de Ulysses Moraes defendem que sua atuação nas redes sociais representa uma nova forma de fazer política, mais direta e conectada com a população. Argumentam que o ex-deputado exerce seu direito à liberdade de expressão e que a comunicação digital é, atualmente, uma ferramenta legítima de engajamento político. Ainda assim, mesmo entre apoiadores, há reconhecimento de que a situação envolvendo o cargo na ALMT precisa ser esclarecida de forma objetiva, especialmente no que diz respeito à compatibilidade entre as funções exercidas e a rotina de trabalho exigida.

 

A fala de Júlio Campos também pressiona a Assembleia Legislativa de Mato Grosso a se posicionar institucionalmente sobre o caso. Até o momento, não há detalhamento público sobre a frequência, as atribuições específicas desempenhadas por Ulysses Moraes nem sobre eventuais justificativas formais para sua ausência física. Diante disso, cresce a expectativa por esclarecimentos oficiais que possam confirmar ou refutar as declarações feitas pelo deputado estadual. A ausência de informações claras tende a alimentar ainda mais o debate e ampliar o desgaste político envolvendo o episódio.

 

O tema também reacende uma discussão recorrente no cenário político brasileiro: o uso da estrutura pública por agentes que transitam entre a atuação institucional e o ativismo digital. Com a ascensão das redes sociais como principal arena de disputa política, cresce o número de figuras públicas que constroem suas carreiras com base em engajamento online, muitas vezes utilizando estratégias de confronto direto, linguagem simplificada e forte apelo emocional. Esse modelo, embora eficaz em termos de visibilidade, levanta questionamentos sobre os limites entre comunicação política e responsabilidade institucional.

 

Em Mato Grosso, o caso é acompanhado com atenção por diferentes setores, incluindo parlamentares, analistas e a própria população, que demonstra crescente sensibilidade a temas relacionados à transparência e ao uso de recursos públicos. Em um cenário de desafios nos serviços essenciais e de cobrança por maior eficiência na gestão pública, episódios como esse tendem a ganhar maior repercussão e impacto político. A exigência por coerência entre discurso e prática se torna cada vez mais central na avaliação do eleitor, que passa a observar não apenas o posicionamento ideológico dos agentes políticos, mas também sua conduta no exercício de funções públicas.

 

Enquanto o debate se intensifica, permanece a expectativa por desdobramentos que possam trazer maior clareza sobre a situação funcional de Ulysses Moraes dentro da ALMT. Seja por meio de manifestações oficiais, seja por eventuais medidas administrativas, o caso tende a continuar no centro das discussões políticas nas próximas semanas, refletindo um momento de transformação na forma como a política é exercida, comunicada e cobrada pela sociedade.