Geral Resgate de animal
Cobra considerada a maior peçonhenta das Américas, é encontrada em avenida de Alta Floresta
Animal foi capturado pelo Corpo de Bombeiros e poderá ser encaminhado ao Instituto Vital Brazil para produção de soro antiofídico.
29/10/2026 09h14
Por: Redação

Uma cobra da espécie surucucu-pico-de-jaca, considerada a maior serpente peçonhenta das Américas, foi capturada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso na noite de sábado (24), após ser encontrada em uma avenida de Alta Floresta, município localizado no norte do estado, a aproximadamente 800 quilômetros de Cuiabá.

O animal, que media cerca de 1,90 metro de comprimento, foi avistado por um motociclista enquanto estava sobre uma das faixas de trânsito da Avenida Teles Pires, nas proximidades do antigo Floresta Amazônica Hotel.

Diante do risco que a presença da serpente representava para motoristas, pedestres e outros moradores, o motociclista acionou o Corpo de Bombeiros, que enviou uma equipe especializada para realizar a captura.

A ocorrência foi atendida por militares da 7ª Companhia Independente Bombeiro Militar (7ª CIBM), por volta das 20h.

Motociclista encontrou cobra no meio da avenida

Segundo as informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros, o motociclista transitava pela Avenida Teles Pires quando percebeu a presença de uma serpente de grande porte sobre a pista.

O animal estava em uma das faixas de circulação de veículos, situação que poderia provocar acidentes tanto pela possibilidade de contato com a cobra quanto por manobras inesperadas de motoristas que tentassem desviar dela.

Após receberem o chamado, os bombeiros se deslocaram até o endereço indicado.

No local, os militares identificaram a serpente como uma surucucu-pico-de-jaca, cujo nome científico é Lachesis muta.

Por se tratar de uma espécie peçonhenta, os profissionais adotaram procedimentos específicos para evitar acidentes durante a aproximação e a contenção.

Bombeiros utilizaram equipamentos especiais para captura

A equipe utilizou uma pinça de manejo de serpentes e um gancho herpetológico, equipamentos que permitem controlar e movimentar o animal mantendo uma distância segura.

Depois de realizar a contenção, os bombeiros colocaram a cobra em um recipiente apropriado para o transporte.

O procedimento foi realizado para preservar a segurança dos militares, da população e do próprio animal.

Após a captura, a serpente foi encaminhada inicialmente à unidade do Corpo de Bombeiros em Alta Floresta, onde seriam avaliadas as possibilidades de destinação.

Não houve informação de pessoas picadas durante a ocorrência.

Espécie é considerada a maior serpente peçonhenta das Américas

A surucucu-pico-de-jaca pertence à família Viperidae, a mesma que reúne outras serpentes peçonhentas, como as jararacas e cascavéis.

A espécie é considerada a maior cobra peçonhenta das Américas e pode ultrapassar três metros de comprimento na fase adulta.

O exemplar encontrado em Alta Floresta media aproximadamente 1,90 metro.

A serpente possui corpo robusto, coloração predominantemente castanho-amarelada e manchas escuras distribuídas ao longo do dorso.

Outro detalhe característico são as escamas salientes, que ajudam na camuflagem entre folhas, galhos e outros elementos presentes no solo das florestas.

A espécie habita principalmente regiões de florestas tropicais úmidas e está presente em áreas da Amazônia brasileira.

Apesar de seu tamanho e da potência da peçonha, a surucucu desempenha um papel importante no equilíbrio ambiental, especialmente no controle de populações de pequenos mamíferos.

Cobra poderá ser enviada ao Rio de Janeiro

Após a captura, o Corpo de Bombeiros informou que estava providenciando o possível encaminhamento da serpente ao Instituto Vital Brazil, localizado em Niterói, no Rio de Janeiro.

A instituição desenvolve atividades relacionadas à produção de soros utilizados no tratamento de acidentes com animais peçonhentos.

Caso o encaminhamento seja autorizado, a cobra poderá ser utilizada para a obtenção de peçonha destinada à fabricação de soro antilaquético, empregado no tratamento de acidentes provocados por serpentes do gênero Lachesis.

Segundo a corporação, o Instituto Vital Brazil já havia demonstrado interesse em receber exemplares dessa espécie em contatos anteriores.

Entretanto, o transporte do animal depende do cumprimento de exigências legais e da obtenção das autorizações ambientais necessárias.

Até a divulgação das informações, o envio ainda estava sendo providenciado, sem confirmação de que a serpente tivesse sido transferida.

Presença de cobras em áreas urbanas exige atenção

Alta Floresta está localizada em uma região de influência da Floresta Amazônica, com áreas de vegetação nativa próximas ao perímetro urbano.

Essa proximidade pode favorecer o aparecimento ocasional de animais silvestres em ruas, terrenos, residências e outros espaços frequentados pela população.

A surucucu-pico-de-jaca está associada principalmente a ambientes florestais úmidos, onde encontra abrigo e alimento.

Segundo informações divulgadas pela 7ª Companhia Independente Bombeiro Militar, a unidade possui um histórico de aproximadamente duas a três ocorrências anuais envolvendo a captura dessa espécie, embora a frequência dos atendimentos tenha diminuído nos últimos anos.

A presença de uma serpente desse porte em uma avenida representa uma situação que exige cuidado, especialmente por se tratar de um animal capaz de provocar acidentes graves.

O que fazer ao encontrar uma cobra peçonhenta?

O Corpo de Bombeiros orienta que a população mantenha distância ao encontrar serpentes em vias públicas, residências ou estabelecimentos comerciais.

A recomendação é não tentar tocar, capturar, espantar ou matar o animal, já que essas atitudes podem aumentar o risco de acidentes.

Também é importante evitar que crianças, animais domésticos e curiosos se aproximem.

Em situações como a registrada em Alta Floresta, a população deve acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, informando a localização do animal.

Em caso de picada, a vítima deve procurar atendimento médico imediatamente, sem fazer torniquetes, cortes ou tentar sugar o veneno.

A identificação da espécie e a avaliação médica são importantes para definir o tratamento adequado, incluindo a utilização de soro específico quando necessário.