O presidente estadual do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso, Ananias Filho, afirmou nesta terça-feira, 27 de outubro, que teme uma série de medidas judiciais contra lideranças da direita após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista ao portal RepórterMT, o dirigente partidário classificou o cenário que imagina para os próximos meses como uma possível “caça às bruxas” e declarou não descartar uma eventual prisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais.
A avaliação de Ananias ocorre após Flávio Bolsonaro afirmar que foi intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal e que estaria proibido de deixar o Brasil por determinação judicial.
Para o presidente do PL mato-grossense, a medida representa um sinal de que integrantes da oposição poderão enfrentar novas ações judiciais.
As declarações, entretanto, expressam uma avaliação política de Ananias. Não há confirmação de que tenha sido decretada a prisão de Flávio Bolsonaro ou de que exista uma decisão judicial anunciando essa providência.
Ananias teme prisão antes do fim do mandato de Flávio Bolsonaro
Durante a entrevista, o presidente estadual do PL afirmou que considera possível uma ordem de prisão contra Flávio Bolsonaro antes mesmo do encerramento de seu atual mandato no Senado Federal, previsto para janeiro de 2027.
“Eu não duvido nada de ele ter sua prisão decretada antes mesmo de seu mandato de senador acabar, no fim de janeiro do ano que vem”, declarou Ananias ao RepórterMT.
A afirmação foi feita dois dias depois do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), quando Lula venceu Flávio Bolsonaro e garantiu mais um mandato à frente do Palácio do Planalto.
Ananias entende que a retenção dos passaportes do senador pode representar o início de uma sequência de medidas contra integrantes da direita.
O dirigente, contudo, não apresentou informações sobre a existência de um pedido de prisão já formalizado contra Flávio.
Apreensão de passaportes provocou reação do PL
A principal preocupação mencionada por Ananias está relacionada à medida judicial que determinou a retenção dos passaportes de Flávio Bolsonaro.
Segundo o dirigente, a decisão teria sido tomada pelo ministro Alexandre de Moraes poucos minutos depois da confirmação da vitória de Lula.
Ananias afirmou que a determinação ocorreu apenas sete minutos após a divulgação do resultado eleitoral.
O intervalo citado pelo presidente do PL faz parte de sua argumentação política sobre o episódio e não demonstra, isoladamente, que a decisão tenha sido motivada pelo resultado das urnas.
Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que foi abordado por agentes da Polícia Federal após visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o senador, os policiais comunicaram a determinação de entrega dos passaportes e a restrição de saída do território nacional.
Flávio criticou a medida, afirmou que pretende se defender judicialmente e negou que estivesse planejando deixar o Brasil.
Polícia Federal apontou elementos relacionados a possível viagem
Conforme as informações divulgadas sobre o caso, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro com base em elementos considerados relevantes para avaliar a possibilidade de uma saída do país.
Um dos pontos mencionados foi uma declaração atribuída ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que vive nos Estados Unidos.
Em entrevista, Eduardo teria sugerido que o senador precisaria viajar ao país norte-americano caso fosse derrotado nas eleições.
Outro elemento citado nas reportagens envolve uma conta vinculada à empresa Alcazar Holding, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
Segundo as informações publicadas, Flávio apareceria identificado como “usuário master” dessa conta, relacionada a uma empresa mantida pelo advogado Willer Tomaz.
Esses elementos foram apresentados como fundamentos do pedido de apreensão dos passaportes.
A existência de uma medida cautelar não significa que o senador tenha sido condenado ou que uma tentativa de fuga esteja comprovada.
Flávio Bolsonaro nega intenção de deixar o Brasil
O senador rejeitou a suspeita de que estaria preparando uma viagem para sair do país após a derrota presidencial.
Em vídeo divulgado na segunda-feira, Flávio afirmou que nunca planejou deixar o Brasil por causa do resultado das eleições.
Ele também classificou a determinação judicial como uma tentativa de intimidação política.
Informações divulgadas pela imprensa levantaram a possibilidade de uma viagem que envolveria passagem pela Argentina e destino aos Estados Unidos.
Entretanto, aliados do parlamentar, entre eles o senador Rogério Marinho, negaram que essa viagem tivesse ocorrido.
A existência de versões divergentes reforça a necessidade de distinguir os fatos confirmados das suspeitas ainda sob apuração.
Presidente do PL cita medidas tomadas após o 8 de janeiro
Para justificar sua preocupação, Ananias Filho também mencionou as decisões judiciais adotadas após os atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
O dirigente afirmou que, naquela ocasião, pessoas ligadas à direita foram alvo de medidas como apreensão de passaportes, bloqueio de contas bancárias e ordens de prisão.
Entre os exemplos citados por ele está Rosana Martinelli (PL-MT), ex-prefeita de Sinop e segunda suplente de senadora.
Segundo Ananias, Martinelli foi atingida por medidas restritivas mesmo sem estar em Brasília no momento dos ataques.
O presidente estadual do PL afirmou que o passaporte e as contas bancárias dela foram liberados posteriormente, quando assumiu o mandato de senadora, em 2024.
O dirigente utiliza o episódio como referência para sustentar sua preocupação com possíveis novas medidas judiciais.
Entretanto, a comparação entre situações distintas não comprova que exista uma ação coordenada de perseguição política contra a oposição.
Ananias pede união da direita no Congresso Nacional
Além de comentar a situação de Flávio Bolsonaro, Ananias Filho defendeu que os partidos e parlamentares de direita se mantenham unidos durante o próximo mandato presidencial de Lula.
O dirigente afirmou acreditar que a oposição precisará fortalecer sua atuação política e parlamentar diante do cenário que se desenha para os próximos anos.
“Certamente, não vamos ter sossego com essa esquerda no poder”, declarou.
Ananias também defendeu que o campo político conservador aproveite sua representação no Congresso Nacional para ampliar a articulação entre os parlamentares.
Na avaliação dele, a atuação conjunta será importante para fiscalizar o governo federal, questionar decisões e defender as propostas da oposição.
A declaração acompanha manifestações de outros políticos ligados à direita em Mato Grosso, que anunciaram a intenção de manter uma postura de oposição ao governo Lula após o resultado eleitoral.
Reeleição de Lula intensificou reações políticas
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 terminou com a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro.
O resultado garantiu ao petista um novo mandato presidencial a partir de janeiro de 2027.
Em Mato Grosso, entretanto, Flávio Bolsonaro recebeu a maioria dos votos válidos, mantendo o estado entre aqueles em que o candidato do PL teve desempenho superior ao do presidente reeleito.
A derrota nacional provocou manifestações de lideranças políticas conservadoras, que passaram a discutir os próximos passos da oposição.
Nesse contexto, a situação judicial de Flávio Bolsonaro tornou-se um dos principais assuntos entre dirigentes e parlamentares do PL.
Previsão de prisão não é confirmação de medida judicial
Apesar das declarações de Ananias, é importante esclarecer que a possibilidade de prisão mencionada pelo dirigente é uma previsão pessoal.
A apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, relatada pelo próprio senador e divulgada pela imprensa, é uma medida diferente de uma ordem de prisão.
Medidas cautelares podem ser determinadas no curso de investigações, conforme os requisitos legais e a fundamentação apresentada pela autoridade judicial.
Uma eventual prisão dependeria de decisão específica, amparada nas condições previstas pela legislação brasileira.
Até o momento, as informações consultadas não confirmam a existência de uma ordem de prisão contra Flávio Bolsonaro relacionada a esse episódio.
Da mesma forma, a alegação de perseguição política é uma interpretação apresentada por Ananias e pelo senador, não uma conclusão judicial estabelecida.
Dirigente projeta cenário de confronto político
As declarações do presidente estadual do PL mostram que a disputa entre governo e oposição deverá continuar no debate político mesmo após o encerramento das eleições.
Ananias defende que a direita permaneça mobilizada e atue de forma coordenada no Congresso Nacional.
Ao mesmo tempo, a situação envolvendo os passaportes de Flávio Bolsonaro deverá continuar sendo acompanhada no âmbito judicial.