O vereador Marcos Aurélio Bento Pena (MDB), de 50 anos, conhecido como Marco Aurélio Bombeiro, foi preso na noite de domingo, 25 de outubro, suspeito de efetuar disparos de arma de fogo contra pessoas que comemoravam a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em General Carneiro, Mato Grosso.
A ocorrência foi registrada por volta das 22h, nas proximidades da lanchonete Bob Esponja, onde um grupo de pessoas estava reunido após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo a Polícia Militar, os tiros teriam partido da janela da residência do parlamentar, localizada nas proximidades do estabelecimento comercial.
Duas mulheres, de 20 e 24 anos, foram identificadas como vítimas da ocorrência, com relatos de ferimentos na região da cabeça e do braço.
O vereador, que também é bombeiro militar da reserva, foi detido após uma negociação que durou aproximadamente 50 minutos. Durante a ação, os policiais apreenderam três armas de fogo e outros materiais na residência.
Testemunha procurou policiais para denunciar disparos
De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares estavam nas proximidades do Auto Posto Bacaba quando foram procurados por uma pessoa que relatou disparos de arma de fogo.
A testemunha informou que um homem estaria atirando da janela de uma residência na direção de pessoas reunidas na lanchonete Bob Esponja.
A equipe policial se deslocou até o endereço indicado para verificar a denúncia.
No local, os militares identificaram o imóvel apontado como origem dos tiros e iniciaram contato com o morador.
O suspeito foi identificado como o vereador Marcos Aurélio Bento Pena, conhecido no município como Marco Aurélio Bombeiro.
Negociação para rendição durou aproximadamente 50 minutos
Segundo a Polícia Militar, o parlamentar permaneceu dentro da residência enquanto os agentes tentavam convencê-lo a sair.
A negociação durou cerca de 50 minutos, até que o vereador concordou em se entregar.
Durante a ocorrência, moradores começaram a se aglomerar em frente ao imóvel.
Conforme o registro policial, algumas pessoas demonstraram revolta com os disparos e ameaçaram avançar contra o parlamentar para agredi-lo.
Diante do risco, os policiais precisaram adotar medidas de segurança para proteger o suspeito e controlar a situação.
O vereador recebeu voz de prisão, foi algemado e colocado no compartimento de transporte de presos da viatura.
A Polícia Militar informou que o procedimento teve como objetivo preservar a integridade física do detido diante da aglomeração.
Três armas de fogo foram apreendidas na residência
Durante as buscas no imóvel, os policiais encontraram três armas de fogo.
Entre os materiais apreendidos estava uma arma apontada como a que teria sido utilizada nos disparos, além de outras duas armas.
Os militares também localizaram uma caixa contendo chumbinhos de calibre 5,5 milímetros.
Conforme o boletim de ocorrência, a entrada no imóvel e a localização dos objetos foram acompanhadas por um funcionário do vereador, que atuou como testemunha.
Todo o material foi recolhido e encaminhado às autoridades responsáveis pela investigação.
A perícia e os demais procedimentos policiais deverão contribuir para esclarecer quais armas foram efetivamente utilizadas e as circunstâncias dos disparos.
Vereador teria admitido que efetuou os tiros
Ainda segundo o boletim de ocorrência, o parlamentar demonstrou preocupação com a possibilidade de ter atingido alguém.
Durante os procedimentos na unidade policial, ele teria perguntado aos militares se alguma pessoa havia ficado ferida.
Ao ser questionado sobre o episódio, o vereador teria admitido que efetuou disparos, mas afirmou não saber precisar qual das armas havia utilizado.
O registro policial também relata que ele mencionou a necessidade de assumir as consequências do ocorrido.
Essas informações constam da versão apresentada pela Polícia Militar e deverão ser analisadas durante a investigação.
A admissão relatada no boletim não substitui a apuração formal das circunstâncias do caso nem representa uma condenação judicial.
Duas mulheres foram identificadas como vítimas
A ocorrência também mobilizou os policiais para verificar a situação das pessoas que teriam sido atingidas.
Segundo as informações divulgadas, duas mulheres, de 20 e 24 anos, foram identificadas como vítimas.
Uma delas apresentou ferimentos leves na região do braço direito. Os relatos policiais também mencionam lesões na cabeça.
As informações publicadas pelos veículos de imprensa apresentam diferenças sobre a distribuição exata dos ferimentos entre as duas mulheres.
Não há notícia de mortes relacionadas ao episódio.
A extensão das lesões e a dinâmica dos disparos deverão ser esclarecidas pelos registros médicos e pela investigação policial.
Vereador apresentava ferimento na perna
Durante a abordagem, os policiais observaram que o vereador apresentava um arranhão na parte frontal da coxa direita.
O registro policial não esclarece como o ferimento foi provocado.
Após a prisão, Marcos Aurélio Bento Pena foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, juntamente com as armas e os demais materiais apreendidos.
A ocorrência foi registrada por suspeitas de posse irregular de arma de fogo de uso permitido, lesão corporal e disparo de arma de fogo.
A definição de eventuais acusações criminais caberá às autoridades responsáveis, conforme o andamento da investigação.
Câmara Municipal divulga nota de repúdio
Na segunda-feira (26), a Câmara Municipal de General Carneiro divulgou uma nota de repúdio à violência registrada após as eleições.
A Presidência da Casa Legislativa lamentou o episódio, manifestou solidariedade às vítimas e aos familiares e defendeu a apuração rigorosa dos fatos.
A manifestação institucional também destacou a importância do respeito à legalidade, à segurança pública e ao Estado Democrático de Direito.
A Câmara ressaltou que divergências políticas não justificam atos de violência.
A nota, entretanto, não antecipou conclusões sobre a responsabilidade criminal do parlamentar, que deverá ser definida pelas autoridades competentes.
Polícia Civil investiga circunstâncias dos disparos
O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso.
Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a sequência dos acontecimentos, a origem e a quantidade dos disparos, a identificação da arma utilizada e as circunstâncias em que as duas mulheres foram atingidas.
Também caberá aos investigadores apurar a motivação do episódio.
Embora os tiros tenham ocorrido durante uma comemoração pela vitória de Lula, a motivação política específica ainda depende de confirmação pela investigação.
A presença de apoiadores do presidente no local é uma circunstância relatada pelas testemunhas, mas não permite, isoladamente, concluir todos os elementos que motivaram a conduta investigada.
Episódio ocorreu após segundo turno das eleições
A ocorrência foi registrada poucas horas depois do encerramento do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A vitória nacional de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) provocou comemorações e manifestações de diferentes grupos políticos em Mato Grosso.
Em General Carneiro, parte dos eleitores estava reunida em um estabelecimento comercial quando os disparos foram denunciados.
O episódio chamou atenção por envolver um representante eleito do Legislativo municipal e pessoas que participavam de uma comemoração política.