Polícia Chefe de facção
Após fugir de presídio e mudar aparência, Angeliquinha retorna a Mato Grosso
A mulher foi capturada no dia 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
21/10/2026 11h12
Por: Redação

Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida como “Angeliquinha”, retornou a Cuiabá na tarde desta terça-feira (20), após ser capturada na Bolívia, onde permaneceu escondida depois de fugir do sistema penitenciário de Mato Grosso.

Apontada pela Polícia Civil como uma das principais lideranças do Comando Vermelho na região norte do estado, especialmente em Alta Floresta, Angeliquinha acumula condenações que ultrapassam 260 anos de prisão por diferentes crimes.

A transferência foi realizada por equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol), com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

Imagens divulgadas pela Polícia Civil mostram a chegada da detenta à sede da GCCO, na capital mato-grossense. Durante o desembarque, ela permaneceu em silêncio e não respondeu aos questionamentos dos jornalistas.

Fuga, mudança de aparência e captura na Bolívia

Angeliquinha estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando conseguiu escapar da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

Após a fuga, ela deixou o Brasil e passou a se esconder em território boliviano. Conforme as investigações, a mulher utilizou documentos falsos e realizou procedimentos estéticos para modificar sua aparência e dificultar a identificação pelas autoridades.

A estratégia, entretanto, não impediu sua localização.

No dia 22 de setembro de 2026, Angeliquinha foi capturada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma operação conjunta entre policiais civis de Mato Grosso e autoridades bolivianas.

Dois dias depois, foi entregue à Polícia Federal brasileira, em Corumbá (MS), onde permaneceu custodiada até a transferência para Cuiabá.

Retorno ao mesmo presídio e regime mais rigoroso

Com o retorno a Mato Grosso, Angeliquinha foi encaminhada novamente à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, justamente a unidade de onde havia fugido.

Por determinação da 5ª Vara Criminal de Sinop, ela deverá cumprir inicialmente 180 dias em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), com possibilidade de prorrogação mediante decisão judicial.

O regime estabelece regras mais rigorosas de custódia, com restrições destinadas a dificultar a comunicação e a articulação de atividades criminosas dentro do sistema penitenciário.

A decisão foi fundamentada em informações das investigações que apontam que Angeliquinha teria continuado exercendo influência sobre a organização criminosa mesmo durante o período em que permaneceu foragida.

Investigações apontam influência sobre homicídios e tráfico

Segundo a Polícia Civil, Angeliquinha exercia papel de liderança em atividades criminosas na região de Alta Floresta e municípios vizinhos.

As investigações relacionam sua atuação a crimes como tráfico de drogas, extorsões, lavagem de dinheiro e exploração de atividades ilícitas em áreas de garimpo.

O delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Draco, afirmou anteriormente que a investigada seria responsável por ordenar aproximadamente 80% dos homicídios atribuídos à facção criminosa em Alta Floresta e região. Trata-se de uma estimativa policial, não de uma condenação individual por todos esses casos.

Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown, que investigou familiares e outros suspeitos de dar suporte financeiro e operacional às atividades criminosas ligadas a Angeliquinha.

A investigação identificou movimentações superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, valores considerados incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

Com a transferência concluída, Angeliquinha permanece à disposição da Justiça para cumprimento das condenações e demais determinações judiciais.