O Cuiabá Esporte Clube intensificou a cobrança de aproximadamente R$ 45 milhões que afirma ter a receber de outros clubes brasileiros, incluindo Corinthians, Santos e Grêmio, por negociações realizadas no futebol nacional.
A diretoria do Dourado cobra providências da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e maior agilidade da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para garantir o cumprimento dos compromissos financeiros.
A manifestação ganhou força depois que o clube mato-grossense precisou desembolsar cerca de R$ 5,5 milhões para quitar uma dívida com o técnico português Petit e sua comissão técnica, encerrando uma punição imposta pela Federação Internacional de Futebol (Fifa).
Cuiabá pagou R$ 5,5 milhões para encerrar punição
Na quinta-feira (15), o Cuiabá confirmou a quitação integral da obrigação financeira relacionada à saída de Petit, que comandou a equipe em 2024.
O treinador deixou o clube em agosto daquele ano, embora seu contrato tivesse validade até dezembro de 2025.
A pendência financeira resultou em uma condenação na Fifa e na aplicação de um transfer ban, medida que impede o registro de novos jogadores enquanto a restrição estiver em vigor.
Para encerrar a punição, o Cuiabá utilizou recursos próprios e efetuou o pagamento de aproximadamente R$ 5,5 milhões.
Com a quitação, a restrição foi encerrada. Entretanto, segundo a diretoria, o desembolso comprometeu o planejamento financeiro do clube em 2026.
Presidente cobra mais rigor da CBF
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, criticou a demora na recuperação de valores que o clube afirma ter direito a receber.
“Temos cerca de R$ 45 milhões a receber de clubes brasileiros. A CNRD precisa ser mais efetiva e dar celeridade à cobrança, pois quem cumpre suas obrigações não pode continuar arcando sozinho com as consequências dos atrasos de outros times”, declarou.
O dirigente defende que as regras financeiras sejam aplicadas com igualdade, independentemente da tradição ou do tamanho das equipes envolvidas.
Na avaliação do Cuiabá, os atrasos prejudicam clubes que precisam cumprir suas próprias obrigações enquanto aguardam o pagamento de negociações já realizadas.
Corinthians, Santos e Grêmio estão entre os citados
Entre os clubes mencionados pelo Cuiabá estão três equipes tradicionais do futebol brasileiro: Corinthians, Santos e Grêmio.
Negociações anteriores envolvendo essas equipes incluem a transferência do volante Raniele para o Corinthians, a negociação do zagueiro Joaquim Henrique com o Santos e a operação envolvendo o meia Pepê e o Grêmio.
Entretanto, o comunicado sobre os R$ 45 milhões não apresentou uma divisão completa do valor por clube ou por transação.
Por isso, não é possível atribuir todo o montante exclusivamente às três equipes citadas.
O presidente também já havia mencionado anteriormente o Atlético-MG entre os clubes com pendências financeiras, segundo declarações reproduzidas pela imprensa esportiva.
Corinthians já foi alvo de cobrança na CNRD
O impasse com o Corinthians não é recente.
Em julho de 2026, o Cuiabá apresentou manifestação à CNRD pedindo a manutenção de uma punição aplicada ao clube paulista após atraso em parcelas de um plano coletivo de pagamento a credores.
Na ocasião, o Corinthians havia solicitado flexibilidade para reorganizar os pagamentos, mas o Cuiabá defendeu o cumprimento das condições estabelecidas.
O episódio exemplifica o conflito entre a necessidade de recuperação dos créditos e as dificuldades financeiras enfrentadas por diferentes equipes do futebol brasileiro.
Santos também enfrenta cobrança específica
A discussão ganhou um novo capítulo na sexta-feira (16), quando o Cuiabá respondeu a críticas feitas pelo presidente do Santos, Marcelo Teixeira.
Segundo o clube mato-grossense, existe uma obrigação de R$ 18.616.377,46, reconhecida pela CNRD, relacionada à negociação do zagueiro Joaquim Henrique.
Após críticas públicas entre os dirigentes, o Cuiabá reiterou que sua reivindicação diz respeito ao cumprimento de uma obrigação financeira.
A cobrança específica envolvendo o Santos integra a disputa entre as diretorias, mas não significa que todos os R$ 45 milhões anunciados correspondam a esse caso.
Atrasos prejudicam investimentos, diz clube
Segundo a diretoria do Dourado, a falta de recebimento dos valores afeta diretamente a capacidade de investimento em diferentes áreas.
Entre os setores mencionados estão o elenco profissional, as categorias de base e a infraestrutura do clube.
O Cuiabá argumenta que a demora na cobrança cria um desequilíbrio financeiro, pois equipes credoras precisam reorganizar suas despesas enquanto aguardam pagamentos de outras instituições.
A diretoria também defende regras mais coerentes para obrigações decorrentes de rescisões antecipadas de contratos de treinadores.
Clube aguarda providências
A cobrança apresentada pelo Cuiabá busca uma atuação mais efetiva dos órgãos responsáveis pela resolução de disputas financeiras no futebol brasileiro.
A CNRD funciona no âmbito da CBF e é responsável por analisar conflitos e obrigações previstas nas normas aplicáveis ao futebol nacional.
Até as informações divulgadas, não havia confirmação de que os R$ 45 milhões tenham sido integralmente recebidos, nem um cronograma único de quitação de todas as pendências.
Enquanto busca recuperar os recursos, o Cuiabá afirma que seguirá concentrado no planejamento esportivo, nas competições e na formação de atletas.