Polícia Aposta final
Polícia mira influenciadora em operação contra o Tigrinho e lavagem de dinheiro
A Operação Aposta Final, deflagrada na quarta-feira (14), cumpriu ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande.
15/10/2026 17h00
Por: Redação

A influenciadora digital Fernanda Matos, moradora de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso após a identificação de movimentações financeiras superiores a R$ 102,4 milhões em uma empresa relacionada a plataformas de apostas on-line.

O marido dela, Diego Matos, também é investigado.

Na manhã de quarta-feira (14), a Polícia Civil deflagrou a Operação Aposta Final, com o cumprimento de 19 ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande, para apurar suspeitas de exploração e divulgação de jogos de azar ilegais e lavagem de dinheiro.

Empresa movimentou R$ 102,4 milhões em dois meses

Segundo a Polícia Civil, uma das empresas divulgadas pela influenciadora movimentou mais de R$ 102,4 milhões entre 14 de maio e 12 de julho de 2026, considerando entradas e saídas de recursos.

Os investigadores identificaram movimentações consideradas suspeitas, incluindo recebimentos e transferências sucessivas de dinheiro relacionados a apostas pela internet.

A movimentação financeira não significa, necessariamente, que o casal tenha recebido pessoalmente todo esse valor ou que a quantia corresponda integralmente a dinheiro ilícito. Essas circunstâncias ainda são investigadas.

Links divulgados nas redes sociais levaram à investigação

As apurações começaram após uma denúncia recebida em agosto deste ano, que apontava possível participação de integrantes de uma facção criminosa na divulgação de plataformas clandestinas de apostas e em práticas de lavagem de dinheiro.

Durante a investigação, a polícia identificou publicações feitas por Fernanda nas redes sociais com links que direcionavam seguidores a sites de jogos.

De acordo com a Polícia Civil, os pagamentos eram realizados por Pix e destinados a duas empresas que não constavam na lista oficial de operadoras autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

A suspeita é de que essas empresas fossem utilizadas para receber e movimentar recursos provenientes das apostas.

Justiça autoriza bloqueio de até R$ 102,4 milhões

A Justiça de Mato Grosso autorizou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados até o limite global de R$ 102,4 milhões.

A medida busca preservar valores que possam estar relacionados aos crimes investigados.

O montante corresponde ao limite autorizado judicialmente, e não à confirmação de que toda essa quantia tenha sido efetivamente encontrada ou bloqueada.

As decisões foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, Polo Cuiabá, a pedido da Polícia Civil.

Carros de luxo e empresas estão entre os alvos

Entre as medidas determinadas estão três mandados de busca e apreensão domiciliar e quatro ordens de apreensão de veículos.

Os automóveis identificados nas reportagens são:

Os investigadores também analisam o patrimônio dos envolvidos, incluindo imóvel residencial e gastos com viagens internacionais considerados incompatíveis com os rendimentos lícitos declarados, conforme a Polícia Civil.

A Justiça determinou ainda a suspensão cautelar das atividades de duas empresas investigadas. As buscas alcançaram estabelecimentos comerciais vinculados ao casal, entre eles um salão de beleza e um açougue.

Influenciadora fica proibida de divulgar apostas nas redes

Outra medida judicial proíbe Fernanda de criar, acessar ou utilizar perfis e plataformas digitais para promover jogos e apostas.

A restrição tem como objetivo impedir a continuidade da divulgação das plataformas investigadas enquanto a apuração estiver em andamento.

Polícia apura possível ligação com organização criminosa

A operação é conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

Os investigadores buscam esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados, identificar eventuais outros participantes e verificar a possível ligação do esquema com uma organização criminosa.

As suspeitas ainda estão sob investigação. As medidas judiciais não representam condenação, e a responsabilidade dos envolvidos dependerá da apuração dos fatos e dos procedimentos legais.