Política Sob investigação
TCE investiga possíveis irregularidades em licitação de R$ 6,2 milhões para instalação de radares em Sinop
O conselheiro Alisson Alencar solicitou esclarecimentos ao prefeito Roberto Dorner, ao secretário de Segurança e Trânsito e a outros dois responsáveis pelo procedimento.
15/10/2026 15h53
Por: Redação

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) abriu uma apuração para investigar possíveis irregularidades em uma licitação de aproximadamente R$ 6,2 milhões, promovida pela Prefeitura de Sinop para a contratação de um sistema de fiscalização eletrônica de trânsito.

O procedimento, identificado como Pregão Eletrônico nº 43/2026, já havia sido suspenso pela Justiça após uma empresa interessada na disputa questionar as condições estabelecidas no edital.

A decisão do TCE foi tomada pelo conselheiro Alisson Alencar e divulgada no Diário Oficial de Contas nesta quarta-feira (14).

Licitação prevê radares em 110 faixas de trânsito

A contratação possui valor estimado de R$ 6.189.372 e contempla serviços de locação, instalação, operação técnica assistida e manutenção de equipamentos de fiscalização eletrônica.

O projeto prevê a cobertura de 110 faixas de trânsito em Sinop, distribuídas da seguinte maneira:

Os equipamentos poderão registrar infrações como excesso de velocidade e avanço de sinal vermelho, conforme as funcionalidades e condições previstas no edital.

O valor de R$ 6,2 milhões corresponde à estimativa da contratação, não a um pagamento já realizado pela Prefeitura.

Empresa questiona falta de cronograma

A representação foi apresentada pela empresa Eliseu Kopp & Cia. Ltda., que apontou possíveis falhas nas regras do processo licitatório.

Segundo a empresa, o edital permite que os equipamentos sejam instalados gradualmente, de acordo com as necessidades da administração municipal, mas não estabelece um cronograma detalhado para cada etapa.

A licitante argumenta que a ausência dessas informações dificulta a elaboração de propostas, já que os concorrentes não conseguem prever com precisão quando deverão disponibilizar os equipamentos nem quando começarão a receber pelos serviços.

O termo de referência estabelece prazo de até 24 meses para a implantação de todas as faixas.

O documento também prevê que somente os equipamentos efetivamente instalados, em funcionamento e liberados pela Prefeitura poderão gerar pagamentos.

Prefeito e servidores foram chamados a se manifestar

Antes de encaminhar o caso para análise técnica, o conselheiro Alisson Alencar solicitou manifestação de quatro representantes da administração municipal:

Conforme a decisão, o prazo para manifestação prévia terminou sem que fossem apresentados esclarecimentos.

O conselheiro ressaltou, entretanto, que a resposta nessa etapa era facultativa. Portanto, a ausência de manifestação não significa que as acusações da empresa sejam verdadeiras.

Justiça já havia suspendido a licitação

A mesma empresa também apresentou questionamentos ao Poder Judiciário.

Em 24 de setembro, a Vara Especializada da Fazenda Pública de Sinop determinou a suspensão do pregão.

Posteriormente, em 2 de outubro, a Prefeitura publicou o aviso de paralisação do procedimento.

Como a licitação já estava suspensa por ordem judicial, o conselheiro do TCE considerou desnecessário determinar uma segunda suspensão com o mesmo objetivo.

Tribunal de Contas continuará investigando

Apesar da decisão judicial, o processo de fiscalização no TCE-MT terá continuidade.

A representação foi encaminhada à equipe técnica do tribunal, que deverá examinar o edital, os questionamentos apresentados e os documentos relacionados à contratação.

Após essa análise, será elaborado um relatório preliminar para subsidiar os próximos encaminhamentos.

Até o momento, não houve decisão definitiva do Tribunal de Contas reconhecendo irregularidades na licitação.

O procedimento permanece suspenso judicialmente, enquanto os órgãos responsáveis analisam os questionamentos sobre as regras da contratação.