Política Disputa judicial
Eleição da AMM segue sem resultado oficial após nova decisão do TJMT
O prefeito Sérgio Machnic integra a única chapa registrada, liderada pelo atual presidente da AMM, Hemerson Maninho.
14/10/2026 10h47
Por: Redação

A disputa judicial envolvendo a eleição da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) teve um novo desdobramento. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) determinou o encaminhamento do processo à Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) para emissão de parecer sobre o pleito que definirá a direção da entidade para o período de 2027 a 2029.

A decisão foi proferida no sábado (10) pela desembargadora Antônia Siqueira Gonçalves, integrante da Terceira Câmara de Direito Privado, e divulgada na terça-feira (13).

O processo envolve questionamentos apresentados pelo município de Nova Xavantina contra mudanças no estatuto da associação e regras da eleição.

A única chapa registrada é liderada pelo atual presidente da AMM, Hemerson Lourenço Máximo, conhecido como Maninho, e tem entre seus integrantes o prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machnic.

Prefeito de Primavera do Leste integra chapa única

Sérgio Machnic aparece na composição da chapa “AMM + Forte e Presente” como candidato a 1º membro titular do Conselho Fiscal.

A chapa reúne prefeitos de diferentes municípios de Mato Grosso e tem o deputado federal Juarez Costa (PSD) como presidente de honra.

Maninho, ex-prefeito de Colíder, busca permanecer à frente da associação durante o próximo mandato.

A participação de Machnic coloca Primavera do Leste entre os municípios representados na composição apresentada para a futura direção da entidade.

Nova Xavantina questiona mudanças no estatuto

A disputa começou depois que a Prefeitura de Nova Xavantina ingressou na Justiça contra alterações estatutárias aprovadas pela AMM em agosto.

Entre os pontos contestados estão o quórum da assembleia que aprovou as mudanças e as condições estabelecidas para o registro de chapas concorrentes.

As novas regras fixaram mandatos de três anos para a Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal, com possibilidade de uma reeleição consecutiva.

As alterações também permitiram que Maninho disputasse a recondução à presidência, mesmo não estando mais no exercício do cargo de prefeito.

Nova Xavantina questiona a legalidade dessas mudanças. A validade das regras ainda depende da análise judicial definitiva.

Eleição foi interrompida após 99 prefeitos votarem

O processo eleitoral teve início no dia 16 de setembro, mas foi suspenso por determinação judicial quando 99 prefeitos já haviam registrado seus votos.

Na ocasião, a juíza Olinda de Quadros Altomare, da 11ª Vara Cível de Cuiabá, determinou a interrupção da votação e o lacre das urnas.

Dois dias depois, em 18 de setembro, a magistrada reconsiderou a decisão após receber novos documentos apresentados pela associação.

A Justiça autorizou a continuidade do processo, preservando os 99 votos já depositados e permitindo que os municípios que ainda não haviam participado também votassem.

Resultado continua sem divulgação oficial

Nova Xavantina recorreu ao TJMT, e uma nova decisão restringiu o andamento do processo.

Posteriormente, o Tribunal autorizou a realização da votação complementar, mas manteve a proibição de abrir as urnas, contabilizar os votos e divulgar o resultado.

A votação complementar foi marcada para 23 de setembro, na sede da AMM, em Cuiabá.

Apesar do avanço das etapas eleitorais, a definição oficial da chapa vencedora permanece condicionada às decisões judiciais.

Maninho assumiu presidência após saída de Léo Bortolin

O atual presidente da AMM assumiu o comando da entidade em março de 2026, após a saída de Léo Bortolin, ex-prefeito de Primavera do Leste.

Bortolin havia sido eleito presidente da associação no fim de 2023, tendo Maninho como vice-presidente.

A saída ocorreu para que o ex-prefeito pudesse disputar as eleições de 2026, nas quais conquistou uma vaga de deputado estadual.

Desde então, Maninho permanece à frente da associação.

O que acontece agora?

Com a nova determinação do TJMT, a Procuradoria-Geral de Justiça deverá analisar o recurso e apresentar um parecer.

Após essa manifestação, o processo retornará à Terceira Câmara de Direito Privado, responsável pelo julgamento.

O parecer da Procuradoria não representa uma decisão final. Caberá ao Tribunal analisar os questionamentos e decidir sobre a validade dos atos eleitorais contestados.

Até nova determinação, a eleição da AMM permanece sem resultado oficialmente proclamado.