A agricultora Joice Ferreira está abrindo caminho para uma nova atividade agrícola em Boa Esperança do Norte, no médio-norte de Mato Grosso. Moradora do Assentamento Santa Rosa II, ela iniciou o plantio de 120 mudas de maracujá, dando os primeiros passos para estabelecer a produção da fruta no município.
A iniciativa surgiu após uma troca de experiências com outra produtora rural, Nasilene Costa dos Santos, de Sorriso, que cultiva aproximadamente 5 mil pés de maracujá e alcança uma produção estimada entre 75 e 100 toneladas por ano.
Até então, conforme informações do Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso), Boa Esperança do Norte não contava com produtores locais de maracujá, e o abastecimento dependia de frutas transportadas de outras cidades.
Troca de experiências incentivou o cultivo
As duas agricultoras se conheceram por meio do projeto Selo de Identificação de Origem da Agricultura Familiar – No Coração de Mato Grosso, desenvolvido pelo CAT Sorriso para incentivar boas práticas e fortalecer a produção familiar.
Com o acompanhamento da engenheira agrônoma Cristina Félix, Joice visitou a propriedade de Nasilene, localizada no Assentamento Jonas Pinheiro, em Sorriso.
Durante a visita, conheceu técnicas de plantio, manejo, condução das plantas e polinização manual utilizadas na produção de maracujá.
A experiência ajudou a agricultora a superar as dúvidas sobre o início de uma cultura que ainda não era explorada em sua comunidade.
Primeiras mudas foram produzidas com sementes doadas
Um dos principais desafios enfrentados por Joice foi conseguir sementes para iniciar o plantio.
Como não encontrou o produto disponível para compra naquele momento, recebeu frutos de maracujá da própria Nasilene.
Em casa, retirou as sementes e preparou as primeiras mudas, que deram origem à nova plantação.
Joice passou a considerar a agricultora de Sorriso uma referência para seu projeto, destacando a importância da ajuda recebida.
Produtora experiente colhe até 100 toneladas por ano
Nasilene Costa dos Santos mantém aproximadamente 5 mil plantas em uma área de três hectares, com produção anual estimada entre 75 e 100 toneladas de maracujá.
O resultado é associado ao manejo cuidadoso, que inclui podas, acompanhamento das plantas e polinização manual.
A técnica consiste em transferir o pólen entre as estruturas das flores, favorecendo a formação dos frutos.
Segundo a engenheira agrônoma Cristina Félix, esse trabalho contribui para elevar a produtividade do pomar.
O acompanhamento técnico também permite identificar problemas nutricionais e possíveis ocorrências de pragas e doenças.
Produção poderá abastecer comércio e escolas
A expectativa é que o cultivo de Joice amplie as opções de comercialização da agricultura familiar em Boa Esperança do Norte.
Inicialmente, a produção poderá ser destinada à feira local. No futuro, existe a possibilidade de fornecimento para programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), responsável pela aquisição de alimentos destinados à merenda escolar.
Essa possibilidade, entretanto, dependerá do desenvolvimento da plantação e do atendimento às exigências dos programas de compra.
A iniciativa integra um projeto que reúne 17 agricultores familiares e busca estimular a diversificação de culturas, a troca de conhecimentos e a geração de renda nas pequenas propriedades.
Com as primeiras 120 mudas já implantadas, Joice inicia uma nova etapa na produção rural do município, apostando no maracujá como alternativa para fortalecer a agricultura familiar.