Os vagões do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) comprados originalmente para operar em Cuiabá e Várzea Grande finalmente começaram a transportar passageiros, mas a cerca de 2 mil quilômetros de Mato Grosso. As composições, vendidas ao Governo da Bahia, entraram em operação assistida em Salvador.
Nesta primeira etapa, os trens circulam entre Calçada e Lobato. O embarque de passageiros começou em 29 de junho e, durante o período de operação assistida, o transporte é gratuito. O funcionamento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, exceto feriados. Cada composição tem capacidade para cerca de 400 passageiros.
A entrada em operação chama atenção em Mato Grosso por causa da longa história do VLT. O sistema havia sido adquirido para atender Cuiabá e Várzea Grande como parte das obras de mobilidade relacionadas à Copa do Mundo de 2014. As obras começaram em 2012, mas o modal não chegou a entrar em funcionamento no estado.
As composições permaneceram armazenadas durante mais de uma década em Várzea Grande. Posteriormente, o Governo de Mato Grosso decidiu substituir o projeto pelo sistema BRT e negociou os trens com o Governo da Bahia.
A venda foi oficializada em 2024 por R$ 793,7 milhões, em acordo mediado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O negócio envolveu 40 composições, além de peças, equipamentos e sistemas operacionais. A última composição deixou Várzea Grande em julho de 2025.
Na Bahia, os veículos passaram por adaptações antes de serem incorporados ao sistema de transporte de Salvador e Região Metropolitana. A operação entre Calçada e Lobato representa a primeira etapa do novo sistema.
Enquanto os antigos trens de Mato Grosso transportam passageiros em Salvador, Cuiabá e Várzea Grande seguem com a implantação do BRT, sistema escolhido para substituir o projeto ferroviário.
A circulação dos vagões na Bahia voltou a repercutir em Mato Grosso e reacendeu o debate político sobre a decisão de abandonar o VLT e sobre o andamento das obras do BRT. Críticas feitas por agentes políticos devem ser entendidas como posicionamentos deles, e não como constatação sobre qual modal seria a melhor escolha.