Política Eleições 2026
Prefeito de Rondonópolis e esposa são alvos de ação eleitoral
O TRE-MT rejeitou nesta terça-feira (22) o pedido cautelar de afastamento do prefeito.
22/09/2026 11h09
Por: Redação

O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), e a esposa, Alessandra Ferreira (Podemos), candidata a deputada estadual nas eleições de 2026, são alvos de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pelo Agir ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).

Na ação, o partido acusa o prefeito de suposto abuso de poder político e econômico, sob a alegação de que estruturas e ações da Prefeitura de Rondonópolis teriam sido utilizadas para ampliar a exposição política de Alessandra e favorecer sua candidatura. As acusações ainda estão sob análise da Justiça Eleitoral e não representam condenação dos envolvidos.

A ação tem como relator o corregedor do TRE-MT, desembargador Marcos Machado. Entre os pedidos apresentados pelo Agir estão o afastamento cautelar de Cláudio Ferreira do cargo de prefeito por 90 dias e a cassação do registro da candidatura de Alessandra. O partido também pede a inelegibilidade de ambos caso, ao final do processo, as irregularidades sejam reconhecidas pela Justiça. 

Partido cita obras e eventos

Segundo a acusação, Cláudio teria utilizado recursos municipais, servidores, canais oficiais de comunicação, obras, eventos e benefícios gratuitos para dar exposição à candidatura da esposa.

Alessandra foi nomeada secretária municipal de Assistência Social em janeiro de 2025 e deixou o cargo, a pedido, em 1º de abril de 2026, para disputar as eleições. O Agir sustenta, porém, que ela teria continuado recebendo destaque em atividades da administração municipal mesmo depois de deixar a função pública. 

Entre os episódios mencionados está a 52ª Exposul, realizada entre 3 e 9 de agosto. Conforme a ação, o evento recebeu R$ 2 milhões em recursos municipais e contou com entrada gratuita, transporte coletivo sem cobrança de passagem e distribuição de alimentos e bebidas no estande da Prefeitura. O partido sustenta que a participação do casal e a divulgação dessas atividades teriam beneficiado politicamente Alessandra. 

A ação também cita a 1ª Copa Integração, projeto esportivo que, segundo o processo, recebeu pouco mais de R$ 1,048 milhão da Prefeitura. O Agir afirma que Alessandra participou da abertura do evento e discursou no palco em 29 de agosto, quando já não ocupava cargo na administração municipal. 

Outros episódios questionados são a distribuição gratuita de picolés durante o desfile de 7 de Setembro, o 10º Caveiras Moto Festival e a associação da imagem da candidata a obras públicas, incluindo a pavimentação do bairro Sagrada Família. 

Justiça já analisou pedido de afastamento

Em atualização publicada nesta terça-feira (22), o TRE-MT rejeitou o pedido cautelar para afastar Cláudio Ferreira do cargo de prefeito. A decisão alcança a medida urgente solicitada pelo Agir; a ação eleitoral, porém, continua submetida à análise da Justiça. 

Paralelamente, outro procedimento apura a divulgação de um convite para o lançamento da campanha de Alessandra em um grupo de WhatsApp utilizado pelo Cras Alfredo de Castro para transmitir informações a beneficiários de programas sociais. Segundo publicação desta semana, o Ministério Público busca identificar quem enviou o material e se houve conhecimento ou participação da candidata ou de integrantes de sua campanha. 

A abertura dessas ações e investigações não significa que Cláudio Ferreira ou Alessandra Ferreira tenham sido condenados ou considerados responsáveis pelas irregularidades alegadas. Caberá à Justiça Eleitoral analisar as provas, as manifestações das partes e os argumentos apresentados no processo.