O Brasil deu a largada oficial para a safra de soja 2026/2027 nesta quinta-feira (17), em Ipiranga do Norte, Mato Grosso. A Abertura Nacional do Plantio foi realizada na Fazenda Horizontina e reuniu cerca de 2 mil pessoas, entre produtores rurais, pesquisadores, autoridades e representantes do agronegócio.
O evento marca simbolicamente o começo de mais um ciclo da principal cultura agrícola do país e coloca Mato Grosso novamente no centro das discussões sobre produção, tecnologia, mercado e os desafios enfrentados pelo setor.
A escolha do estado acompanha o peso de Mato Grosso na sojicultura brasileira. Segundo o Canal Rural, o estado produz mais de 50 milhões de toneladas do grão por ano, volume equivalente a aproximadamente um terço da produção nacional.
Clima é uma das principais preocupações
Apesar da abertura oficial da temporada, o avanço efetivo das máquinas nas lavouras dependerá principalmente das condições de umidade do solo e da regularidade das chuvas.
Em Mato Grosso, o vazio sanitário terminou no início de setembro, liberando a semeadura da safra 2026/27. Desde então, produtores acompanham as condições climáticas antes de avançar com o plantio em áreas de sequeiro.
Durante a abertura nacional, o meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural, chamou atenção para um começo de ciclo desafiador. Segundo a análise apresentada no evento, Mato Grosso ainda necessita de aproximadamente 100 a 150 milímetros de chuva para recuperar a umidade do solo, e uma regularização mais ampla das precipitações no Centro-Oeste é esperada a partir de outubro.
MT deve plantar mais de 13 milhões de hectares
Para a temporada 2026/27, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta que Mato Grosso cultive aproximadamente 13,05 milhões de hectares de soja.
A estimativa é de produtividade média de 62,44 sacas por hectare, redução de 5,43% em relação à safra anterior. Caso a projeção se confirme, a produção estadual deve ficar em aproximadamente 48,88 milhões de toneladas, queda de 5,19%.
As projeções, no entanto, ainda dependem do desenvolvimento da temporada, especialmente do comportamento das chuvas ao longo do ciclo.
Evento discute produção além da lavoura
A programação em Ipiranga do Norte também colocou em debate a verticalização da soja na produção de alimentos e energia. A proposta é discutir maneiras de agregar valor à produção dentro das propriedades e ampliar as fontes de receita do produtor.
A própria Fazenda Horizontina apresenta um modelo de integração de atividades. Na propriedade, além da soja, há produção de milho, algodão, pecuária e geração de energia, com aproveitamento de coprodutos e reciclagem de nutrientes.
A abertura da safra também marcou o início das comemorações pelos 15 anos do Projeto Soja Brasil e pelos 30 anos do Canal Rural.
Com a temporada oficialmente aberta, as atenções agora se voltam ao campo. Em Mato Grosso, a velocidade da semeadura nas próximas semanas deverá ser determinada principalmente pela chegada e regularização das chuvas.