A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na quarta-feira (16), a Operação Retorn, que investiga um suposto esquema de estelionato envolvendo negociações de veículos e embarcações. O caso é conduzido pela Delegacia Municipal de Lucas do Rio Verde e teve início após uma vítima relatar prejuízo de aproximadamente R$ 246 mil.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, em endereços localizados em Cuiabá e Chapecó, em Santa Catarina. A Justiça também autorizou a quebra do sigilo telefônico dos investigados e o bloqueio de valores relacionados à investigação.
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Sinop, após manifestação favorável do Ministério Público.
Fraude teria ocorrido com cheques
A investigação começou em fevereiro de 2026, quando a vítima procurou a Polícia Civil e denunciou a suposta fraude.
Segundo a apuração, os investigados teriam adquirido veículos e embarcações utilizando cheques como forma de pagamento. Posteriormente, quando os documentos foram apresentados para compensação, foram devolvidos por falta de fundos ou porque as contas bancárias estavam encerradas.
O prejuízo inicialmente calculado pela investigação é de aproximadamente R$ 246 mil.
A partir da denúncia, os investigadores reuniram documentos e outras informações e solicitaram à Justiça medidas para avançar na obtenção de provas e no rastreamento de patrimônio relacionado às negociações.
Quatro veículos foram apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam celulares, notebooks, contratos e diversos cheques. Todo o material será analisado pelos investigadores.
Segundo a Polícia Civil, parte da documentação encontrada apresenta características compatíveis com o modo de atuação investigado. A análise também deverá verificar se o mesmo método teria sido utilizado em outras negociações e se existem outras possíveis vítimas.
Além dos documentos e equipamentos eletrônicos, quatro veículos foram apreendidos. Conforme a investigação, eles têm relação com os fatos apurados e poderão auxiliar nas medidas de recuperação patrimonial e eventual restituição às vítimas.
Investigado foi preso em Santa Catarina
Um dos investigados deixou Mato Grosso e foi para Chapecó (SC) durante o andamento da apuração. Enquanto as medidas judiciais eram analisadas, ele teria mudado novamente de endereço, exigindo novas diligências para ser localizado.
Com apoio da Polícia Civil de Santa Catarina, a equipe conseguiu encontrar o novo imóvel e cumprir a ordem judicial.
Durante as buscas, os policiais localizaram uma arma de fogo de uso restrito em posse do investigado. Por causa do armamento encontrado, ele foi preso em flagrante.
A prisão em flagrante decorreu da arma localizada durante a busca e não representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade do investigado nas fraudes apuradas pela Operação Retorn.
Investigação continua
A Polícia Civil segue analisando os materiais apreendidos para individualizar a conduta dos investigados, rastrear bens e valores e verificar a existência de outras pessoas que possam ter sido vítimas do mesmo método.
Segundo a corporação, o nome “Retorn” faz referência ao objetivo de buscar, dentro das possibilidades legais, a recuperação de bens e valores e a restituição dos prejuízos provocados às vítimas.