A Polícia Civil de Mato Grosso investiga se o avião que caiu e matou três pessoas em Água Boa, no dia 10 de setembro, estava sendo utilizado em uma possível operação ligada ao tráfico internacional de drogas. A aeronave decolou de Goiânia (GO) sem autorização e sem plano de voo aprovado e, segundo as diligências, poderia ter como destino a Venezuela.
O avião era um Cessna 402 e caiu na zona rural de Água Boa. Os três ocupantes morreram. Conforme a investigação, estavam a bordo um brasileiro e dois paraguaios.
Apesar de familiares terem auxiliado no reconhecimento, a Polícia Civil ressaltou que a identificação definitiva das vítimas depende da conclusão dos exames periciais realizados pela Politec.
Avião decolou sem autorização
As diligências realizadas pela Delegacia de Água Boa apontam que o Cessna saiu de Goiânia sem documentação regular, autorização para o voo ou plano de voo aprovado.
A reconstituição do itinerário indica que a aeronave seguia em direção a fronteiras internacionais. A Venezuela aparece como possível destino, hipótese reforçada, segundo a investigação, por familiares que relataram que um dos ocupantes havia informado que viajaria para o país.
A rota, no entanto, integra a investigação e não significa que o envolvimento dos ocupantes com o tráfico esteja definitivamente comprovado.
Avião já havia sido apreendido com cocaína
Outro ponto considerado pelos investigadores é o histórico da própria aeronave.
O Cessna já havia sido apreendido em 2017 em um processo relacionado ao tráfico internacional de drogas, em Goiânia. Naquela ocasião, a Polícia Federal encontrou cocaína escondida no avião. Documentos judiciais consultados anteriormente apontaram que a quantidade total localizada chegou a 98,8 quilos, distribuída inclusive em compartimentos do assoalho e das asas.
Depois da apreensão, a aeronave foi destinada a leilão judicial e acabou sendo adquirida por um novo proprietário cerca de quatro meses antes da queda em Água Boa.
Segundo a apuração da Polícia Civil, o novo proprietário tinha conhecimento de que o avião não estava habilitado para operar no Brasil. A aeronave não havia passado pelo processo de nacionalização, não possuía matrícula brasileira e também não tinha certificado regular de aeronavegabilidade.
Compra também é investigada
As circunstâncias da aquisição do Cessna passaram a integrar as diligências.
Segundo a Polícia Civil, o avião teria sido comprado por um valor considerado elevado por uma pessoa cuja situação financeira levantou questionamentos dos investigadores. O pagamento teria ocorrido parcialmente em dinheiro e parcialmente por meio de um veículo de alto valor.
Esse veículo, conforme o levantamento policial, já esteve registrado em nome de uma pessoa investigada por tráfico internacional de drogas.
A polícia também apurou que um dos ocupantes do avião possuía pendências judiciais em seu país de origem e restrição para deixar o território nacional.
Para os investigadores, esses elementos, somados à decolagem clandestina e à possível rota internacional, sustentam a hipótese de que a aeronave poderia estar sendo utilizada novamente em uma atividade ilícita.
Investigação ainda não terminou
Apesar dos indícios reunidos, a hipótese de tráfico internacional ainda está sendo investigada. Até o momento, não foi divulgado que drogas tenham sido encontradas nos destroços do avião após o acidente.
As investigações estão em fase final, mas a Polícia Civil ainda aguarda laudos periciais, especialmente os relacionados à identificação técnica das três vítimas.
A corporação continua analisando o histórico da aeronave, a compra do avião, o itinerário realizado e as circunstâncias que antecederam a queda para esclarecer qual era a finalidade do voo.