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Custo da soja chega a R$ 8,1 mil por hectare em Mato Grosso

Os números são do Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso, elaborado pelo Senar-MT e Imea.

14/09/2026 às 11h05
Por: Redação
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Custo da soja chega a R$ 8,1 mil por hectare em Mato Grosso

O produtor de soja de Mato Grosso deverá enfrentar uma safra 2026/27 marcada por custos mais altos e margens mais apertadas. A projeção aponta que o custo total para produzir um hectare da oleaginosa deverá alcançar R$ 8.171,41, alta de 16,69% em relação ao ciclo anterior. 

Os números fazem parte do Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) e pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O levantamento indica ainda que a receita bruta projetada para a próxima temporada poderá não ser suficiente para cobrir todo o custo econômico da atividade. 

O custo econômico total, porém, não representa apenas o dinheiro efetivamente desembolsado pelo produtor. O cálculo também considera componentes como remuneração da terra e custo de oportunidade do capital, permitindo comparar o retorno da lavoura com outras possibilidades de aplicação dos recursos.

Custeio da lavoura supera R$ 4,3 mil por hectare

Quando considerados apenas os desembolsos necessários para manter a produção, o chamado custo operacional efetivo deverá chegar a R$ 6.012,39 por hectare, avanço de 4,04%.

Já o custo operacional total, que acrescenta depreciações e outras despesas, está estimado em R$ 6.682,54 por hectare, aumento de 4,42%.

Somente o custeio da lavoura deverá atingir R$ 4.323,22 por hectare. Os insumos continuam entre os principais responsáveis pelas despesas, com destaque para fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas. 

Retorno pode cair 35%

A pressão sobre as contas aparece com mais força na projeção do resultado da atividade.

O relatório estima um Lajida de R$ 1.069,47 por hectare. O indicador, que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, deverá apresentar queda de 35,05% em comparação com a safra anterior.

O resultado projetado também está 53,5% abaixo da média dos últimos cinco ciclos. Entre as safras analisadas, o desempenho esperado para 2026/27 supera apenas o registrado em 2023/24. 

Produtividade também deve recuar

Além do aumento dos custos, a expectativa de uma produtividade menor também deve pesar sobre a rentabilidade.

A estimativa é de uma média de 62,44 sacas por hectare, redução de 5,43%.

Mesmo com uma expansão de 0,25% na área cultivada, prevista para atingir 13,04 milhões de hectares, a produção estadual poderá cair 5,19%, chegando a aproximadamente 48,88 milhões de toneladas. 

O clima permanece como uma das principais variáveis para o resultado final da temporada. O estudo aponta incertezas relacionadas à possibilidade de um El Niño forte, cenário que pode afetar o desempenho das lavouras.

Quase 40% da safra já estava negociada

Até agosto, 39,12% da produção estimada para a safra 2026/27 já havia sido comercializada em Mato Grosso.

O preço médio registrado nos negócios antecipados era de R$ 121,18 por saca. 

Com a redução das margens, uma das preocupações é que produtores diminuam investimentos na tentativa de controlar despesas, especialmente em itens como adubação.

A estratégia pode aliviar parte dos custos no curto prazo, mas também representa risco para a produtividade. Assim, o produtor entra na safra 2026/27 diante do desafio de equilibrar investimentos, custos crescentes e uma expectativa de retorno menor.

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