A troca na suplência da candidatura de Janaina Riva (MDB) ao Senado ganhou um novo capítulo nesta semana. A ex-delegada Ana Cristina Feldner afirmou ter sido desrespeitada na forma como deixou a composição e levantou o questionamento sobre o episódio poder ser caracterizado como violência política de gênero. Janaina, por outro lado, sustenta que a participação de Feldner sempre foi acertada como temporária.
Feldner voltou a falar publicamente sobre o assunto na quarta-feira (9), por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. Segundo ela, o problema não foi a possibilidade de deixar a chapa, mas a maneira como a mudança teria sido conduzida.
A ex-delegada afirmou que havia sido convidada para participar da composição e que aceitou por acreditar que poderia contribuir. Segundo sua versão, posteriormente foi retirada sem que houvesse diálogo adequado.
Feldner também disse ter se sentido atingida por declarações feitas durante o episódio que, na avaliação dela, teriam diminuído sua trajetória política.
Ao abordar o assunto, a ex-delegada evitou afirmar categoricamente que tenha sido vítima de violência política de gênero, mas colocou o questionamento em debate.
“Eu não estou aqui para dar o veredito. Estou aqui para contar o que vivi e fazer uma pergunta que considero importante”, afirmou Feldner.
Janaina apresenta outra versão
Janaina Riva apresentou uma versão diferente sobre a composição da chapa. Em entrevista na noite de quarta-feira, a candidata ao Senado afirmou que Ana Cristina sabia desde o convite que permaneceria na suplência apenas temporariamente.
Segundo Janaina, as vagas de suplência estavam sendo articuladas com o presidente estadual do Podemos, deputado Max Russi, e outros nomes já haviam sido definidos.
A deputada afirmou que explicou a situação antes de Feldner aceitar integrar a chapa e que a ex-delegada concordou em participar por um período determinado.
Janaina reconheceu que Feldner posteriormente passou a ter expectativa de permanecer na composição. Segundo a candidata, essa possibilidade teria sido mencionada por uma integrante de sua assessoria, mas não teria alterado o acordo feito inicialmente entre as duas.
A candidata negou ter agido de forma desonesta e afirmou que deixou as condições claras desde o primeiro momento.
Mudanças começaram em agosto
Ana Cristina Feldner havia sido anunciada no início de agosto como primeira suplente de Janaina Riva na disputa pelo Senado. Na mesma composição, o vereador de Rondonópolis Ibrahim Zaher havia sido apresentado como segundo suplente.
Posteriormente, Feldner deixou a chapa e Aluizo Lima, assessor de Janaina, foi indicado para ocupar a primeira suplência.
Na época, a ex-delegada afirmou que havia comunicado à assessoria sua decisão de não permanecer na composição e já mencionava falta de diálogo, embora mantivesse publicamente o respeito por Janaina.
A discussão ganhou força novamente nesta semana com as declarações de Feldner e a resposta da candidata ao Senado.
E as mudanças na chapa ainda não terminaram. Janaina afirmou que pretende realizar novas substituições nas duas suplências. Nesta quinta-feira (10), Ibrahim Zaher também anunciou oficialmente que deixará a segunda suplência para se dedicar à coordenação de outras campanhas eleitorais. Segundo ele, a decisão não representa rompimento político com Janaina.
Até o momento, os novos nomes que deverão completar definitivamente a chapa de Janaina Riva ao Senado não foram anunciados.