Mato Grosso está praticamente concluindo a colheita do milho segunda safra 2025/26. Até o dia 8 de agosto, 99,10% da área cultivada já havia sido colhida, com produção estimada em 57,39 milhões de toneladas.
Os números fazem parte do relatório de agosto do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), elaborado com base em pesquisa de campo realizada em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).
Área plantada chega a 7,43 milhões de hectares
A área cultivada foi consolidada em 7,43 milhões de hectares, crescimento de 2,41% em relação à temporada anterior.
Na comparação com o relatório divulgado em julho, houve aumento de 0,57%.
Já a produtividade média foi mantida em 128,67 sacas por hectare.
Para dimensionar as áreas cultivadas, o levantamento utiliza informações obtidas junto aos produtores, além de técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto.
Consumo praticamente alcança toda a produção
Outro número que chama atenção é a projeção de consumo. Para a temporada 2025/26, o Imea estima uma demanda total de 57,20 milhões de toneladas, volume muito próximo das 57,39 milhões de toneladas previstas para serem produzidas.
O consumo dentro de Mato Grosso deverá alcançar 22,10 milhões de toneladas, avanço anual de 9,12%.
Um dos principais fatores para o crescimento é a expansão das usinas de etanol de milho, que ampliaram a demanda pelo cereal produzido no estado.
O mercado interestadual deverá consumir outros 11 milhões de toneladas, alta de 6,18%.
Com maior absorção no mercado interno e em outros estados, a projeção de exportações caiu 1,09%, ficando em 24,10 milhões de toneladas.
Excesso de chuva prejudicou parte das lavouras
Apesar do elevado volume produzido, a temporada também foi marcada por dificuldades climáticas em algumas regiões.
Segundo Gilson Antunes de Melo, vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, houve produtores que conseguiram aumentar a produção, enquanto outros registraram perdas na comparação com o ciclo anterior.
“Na região Oeste, por exemplo, houve produtores que aumentaram a produção e muitos que perderam em relação ao ano passado”, afirmou.
O excesso de chuva registrado em março e abril favoreceu o surgimento de doenças e prejudicou a eficiência da adubação nitrogenada em determinadas áreas.
Janela de plantio fez diferença no resultado
Segundo Melo, a época em que cada lavoura foi implantada teve influência importante sobre o desempenho.
Embora algumas regiões tenham iniciado o plantio ainda no fim de setembro, parte das áreas acabou sendo semeada mais tarde.
O atraso empurrou determinados plantios para o fim de janeiro e até para a segunda quinzena de fevereiro, expondo as lavouras a condições de maior umidade.
Em Porto dos Gaúchos, o produtor Peterson Piovezan Staniszewski encerrou a colheita em 9 de julho e terminou o ciclo com produtividade ligeiramente abaixo da expectativa.
“Investimos um pouco mais em relação às últimas safras de milho, mas não chegou a agregar em produtividade. Ficamos dois sacos abaixo do que esperávamos”, relatou.
Produtores já olham para os custos da próxima safra
Com a colheita praticamente encerrada, as atenções começam a se voltar para o próximo ciclo.
O custo de produção aparece entre as principais preocupações antes das novas decisões de plantio.
“A maior preocupação do produtor é o custo da próxima safra. É fechar a conta”, afirmou Gilson Antunes de Melo.
Staniszewski também ainda não concluiu a compra dos insumos e afirma que fatores como preço do milho e condições climáticas serão determinantes para definir o nível de investimento no próximo ciclo.